Apoios ao artesanato regional são mal distribuídos


 

Rita Sousa / Rui Jorge Cabral   Regional   21 de Dez de 2008, 13:08

O artesanato regional é uma indústria pobre e que carece de mais apoios, que possam impulsionar um maior desenvolvimento desta actividade. Segundo José Vieira, responsável pela Azoresmade, empresa que se dedica ao artesanato e à formação em artes decorativas, a forma como é feita a distribuição dos incentivos que existem não é a mais correcta, pois não contribui para o progresso do artesanato regional.
José Vieira critica a distribuição dos apoios e incentivos ao artesanato, pois “um artesão que produza as suas peças em casa e que venda meia dúzia destas por ano tem os mesmos apoios que uma empresa que emprega gente, que paga impostos e que contribui para a economia nacional”.
O responsável pela Azoresmade reivindica que se a empresa em questão trabalhar arduamente, tiver uma estrutura, uma dinâmica e uma política de marketing e de formação, deverá ter mais incentivos do que uma pessoa que trabalhe em casa.
“Devia haver distinção entre o individual e a empresa, pois os apoios não são justos e são escassos para empresas, como a nossa, que possuem um volume de formação grande”, disse José Vieira.
A Azoresmade tem um atelier, onde é dada formação a centenas de pessoas, permitindo que o artesanato regional se desenvolva. É neste sentido que o dirigente da Azoresmade considera que “o governo devia investir num plano dessa natureza”, que permitisse apoiar mais as empresas de maiores dimensões que dão formação na área do artesanato.
José Vieira explica que é também necessário desenvolver uma cultura de qualidade e isto passa por uma boa classificação das peças e por uma legenda de certificação, que efectivamente já existe mas que simplesmente não é fiscalizada.
Para o responsável da Azoresmade, é escandaloso que uma casa de artesanato que é subsidiada, venda bordados chineses e peças artesanais mal produzidas com rótulo de artesanato regional.
Nestas situações, considera que tem de haver uma maior atenção de quem fiscaliza estas casas de artesanato, para que não se dê regalias a quem não venda o que é regional.
Para além disso, José Vieira afirma que é preciso haver uma maior flexibilidade e redefinição do que é considerado artesanato regional, para que este possa ter maior visibilidade e maior incremento.
“É um grande contra-senso existirem técnicas caras e elitistas que são consideradas artesanato, enquanto que técnicas extremamente artesanais e populares, como a pintura em tecido, já não são consideradas artesanato”, revela o responsável pela Azoresmade.
Finalizando, José Vieira, relembra que a exposição, organizada pela Azoresmade, que decorreu esta semana no Coliseu Micaelense e que termina hoje, é realizada já há quatro anos com o intuito de trazer ao público os excelentes trabalhos artesanais conseguidos pelos alunos do atelier ao longo dos anos.
“Na exposição pode-se encontrar um pouco de tudo o que é artesanato e artes decorativas, como a pintura em tela, pintura em tecido, bordados, trabalhos com escamas de peixe, porcelanas, moldagem de estanho e outras actividades que fazem parte da formação que damos no nosso atelier”, conclui José Vieira.

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