António Costa defende Sócrates e recusa ser primeiro-ministro


 

Lusa / AO online   Nacional   13 de Fev de 2010, 20:55

O presidente da câmara de Lisboa, António Costa, afastou hoje a necessidade de o primeiro-ministro, José Sócrates, ser afastado do cargo e declarou que está "absolutamente fora de causa" vir a assumir essas funções.

"Em primeiro lugar, não é necessário substituir o chefe do governo. Em segundo lugar, estou impossibilitado de o fazer porque tenho um compromisso com a cidade", disse António Costa aos jornalistas quando confrontado com a possibilidade de assumir o lugar de Sócrates.

O número dois do PS sublinhou que "está absolutamente fora de causa" abandonar a Câmara de Lisboa para exercer funções governamentais.

Costa falava aos jornalistas à margem da inauguração da reabilitada Fonte Luminosa da Praça do Império, reagindo às declarações do conselheiro de Estado António Capucho (PSD), que sugeriu que António Costa e o antigo comissário europeu António Vitorino seriam bons nomes para substituir José Sócrates, que de acordo com o também presidente da Câmara de Cascais “faria um bom serviço ao país e ao PS se saísse de cena”.

"Se a oposição entende que este governo não se deve manter em funções tem uma forma de o fazer: é apresentar uma moção de censura e assumir a responsabilidade", afirmou, reiterando o desafio que já tinha lançado no programa Quadratura do Círculo, da SIC Notícias, e repetido hoje pelo dirigente socialista Capoulas Santos.

O autarca da capital criticou a postura da oposição, de exercer “ataques ad hominem, à procura da exasperação de quem exerce as suas funções”.

Para António Costa, "José Sócrates tem todas as condições, quer internas, no PS, quer democráticas", para se manter à frente do governo.

“Tem, aliás, todo o meu apoio”, frisou.

O autarca da capital considerou ainda "muito importante" o acordo obtido para a viabilização do Orçamento do Estado.

António Costa sublinhou a necessidade de o país “serenar”, depois de “um ciclo eleitoral muito pesado”, com eleições europeias, autárquicas e legislativas.

“Agora, cada um deve exercer os mandatos para os quais foi eleito, é o que tenciono fazer e o engenheiro Sócrates também, porque os portugueses escolheram-no para governar”, afirmou.

“O que eu acho importante é que, perante a gravidade dos problemas do país, nos concentremos na sua resolução”, sublinhou.

O semanário Sol transcreveu, nas duas últimas edições, extratos do despacho do procurador João Marques Vidal, responsável pelo caso Face Oculta, em que considera haver "indícios muito fortes" do envolvimento do Governo, "nomeadamente o primeiro ministro", num plano de controlo de vários meios de Comunicação Social, além da TVI.

No âmbito do processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado, foram constituídos 18 arguidos.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.