Incêndios/Grécia

Aldeia grega de Mati deparece após incêndios descontrolados

Aldeia grega de Mati deparece após incêndios descontrolados

 

Lusa/AO Online   Internacional   24 de Jul de 2018, 14:26

A aldeia costeira de Mati, a este de Atenas, ficou reduzida a cinzas, destruída pelos incêndios que atingem a Grécia e que já causaram pelo menos 50 mortos e 156 feridos.

"Mati já não existe", afirmou Evangelos Bournous, presidente da Câmara de Rafina, cidade portuária para onde os sobreviventes foram transportados.

Um porta-voz da Cruz Vermelha disse à rede de televisão pública ERT que, depois de terem sido encontrados 24 corpos, os bombeiros descobriram hoje um outro grupo de 26 pessoas, já sem vida, num campo localizado em Mati.

Segundo Vassilis Andriopoulos, socorrista da Cruz Vermelha que descobriu as últimas vítimas do incêndio, os corpos encontravam-se "em grupos de quatro ou cinco pessoas, (...) que numa última tentativa de se proteger, procuraram alcançar o mar, a 30 ou 40 metros de distância".

Em fuga das chamas, alguns dos grupos, entre eles "pequenas crianças", ficaram encurralados entre o incêndio e uma falésia que a 30 metros os separava do mar.

Stella Petridi, uma sobrevivente de 65 anos, relata que, ao se aperceber da proximidade do fogo, correu para casa para tentar libertar os seus seis cães, vendo-se obrigada a desistir quando não conseguiu abrir a porta da residência já em chamas.

Petridi e outros residentes foram resgatados na praia da aldeia por um barco de patrulha, por volta das quatro da manhã, que os transportou para um refúgio em Rafina.

"Eu vi o fogo descer pela colina por volta das seis da tarde, cinco ou dez minutos depois estava no meu jardim", assegurou Athanasia Oktapodi, outra sobrevivente resgatada.

Como muitas das residências em Mati, a casa de Oktapodi também estava rodeada de grandes árvores, altamente inflamáveis.

Vários locais afirmam também ter ouvido o som de explosões das botijas de gás, presentes em muitas das casas de férias.

As operações de combate aos incêndios prosseguiram durante a noite, mas foram prejudicadas por fortes ventos.

Depois de as autoridades terem declarado o estado de emergência e solicitado ajuda internacional, o porta-voz do Governo, Dimitris Tzanakopoulos, anunciou que os aviões de combate aos incêndios chegarão hoje de Espanha, bem como voluntários do Chipre.

Segundo Evangelos Bournous, pelo menos 500 casas e 200 veículos foram danificados em maior ou menor grau pelas chamas.

Bournous referiu, num comunicado enviado à televisão ERT, que continua a ser realizada a operação de resgate por mar realizada na segunda-feira e que os navios da Guarda Costeira estão a transportar muitos moradores de Rafina para outras áreas seguras.

Os fogos que lavram na Grécia causaram pelo menos 60 mortos e 172 feridos, alguns em estado crítico, de acordo com os últimos dados da Proteção Civil grega.

O Governo de Alexis Tsipras pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio.

Portugal vai enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou o ministro da Administração Interna.



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