Al-Qaida transformou-se numa rede de grupos autónomos e jihadistas individuais


 

Lusa / AO online   Internacional   10 de Set de 2011, 13:06

A grande ameaça da al-Qaida vem hoje, não do núcleo central algures no Paquistão ou das grandes ramificações regionais, mas das células espalhadas na Europa e outros pontos do globo e até jihadistas solitários, garantem vários peritos na organização terrorista.

De uma organização com uma hierarquia centralizada a dirigir diretamente o recrutamento, treino e condução das operações, a al-Qaida transformou-se ao longo dos últimos anos numa rede cada vez mais fragmentada de grupos e células regionais e uma vasta rede de operacionais seduzidos pela ideologia da jihad, mas muitas vezes sem uma ligação direta à organização.

O ramo mais temido e letal será hoje a al-Qaida na Península Arábica (AQAP – al-Qaida na Arábia Saudita e Jihad Islâmica do Iémen)), onde se destaca a liderança de Anwar al-Awlaki, um dos grandes ideólogos do movimento jihadista.

Enquanto os drone americanos têm efeitos devastadores nas fileiras dos militantes no Afeganistão e no Waziristão, os lideres da AQAP têm atuado com relativo à vontade no Iémen, e assinaram já ações destacadas desde 2008, como o ataque à embaixada americana em Saana em setembro de 2008.

É também crescente o envolvimento da al-Qaida em África, onde se deteta uma escalada de violência e uma intensa atividade de recrutamento. A al-Shabaab (movimento de juventude mujahidin), colocou a Somália no topo dos países mais ameaçados pelo terrorismo e, no Norte de África, a al- Qaida no Magrebe islâmico, sucessora do Grupo Salafista de Pregação e Combate e do Grupo Islâmicos Armado, é responsável por uma série de violentos ataques e atentados na Argélia.

Segundo peritos franceses, o ramo magrebino da al-Qaida tem conseguido uma infiltração crescente em países vizinhos, muitas vezes através de grupos criminosos locais - Mauritânia, Mali, Nigéria, Chade – e mesmo em Marrocos (atentado de Marraquexe em abril último).

No mundo árabe a al-Qaida está ainda presente na Jihad Islâmica do Egipto, e no Grupo de Combatentes Islâmico da Líbia. Em Xinjiang, na China, atua o Movimento Islâmico do Turquestão do Leste.

O sudeste asiático é outra área de expansão da al-Qaida. Na Indonésia destaca-se a organização religiosa extremista Jemaah Ismaliyah, a al-Qaida para a Malásia, ligada a atentados suicidas mortíferos como o dos hotéis Marriot e Ritz de Jacarta em julho de 2008.

Peritos como Marc Sageman, antigo operacional da CIA, assinalam que a verdadeira ameaça da al-Qaida provém hoje, não da organização central na fronteira afegano-paquistanesa ou mesmo dos grandes ramos regionais, mas de jovens em países europeus inspirados por Bin Laden e outros jihadistas. Foi desse tipo de grupos, encorajados pela invasão americana do Iraque em 2003, que vieram os atentados bombistas de 2004 em Madrid e de 2005 em Londres.

Os peritos acreditam que há uma célula da al-Qaida em todos os países europeus. Depois da prisão de três marroquinos na Alemanha (Dusseldorf), no final de abril, que planeavam colocar bombas em locais públicos, as autoridades germânicas admitem que mais de 2200 cidadãos alemães receberam treino nas áreas tribais do Paquistão e muitos regressam à Alemanha. A situação repete-se na Grã-Bretanha, Escandinávia, França, Espanha e Itália.

Os peritos sublinham que dificilmente esses grupos terão meios para grandes ações, mas ao mesmo tempo são mais dispersos e difíceis de controlar.

Segundo os serviços de informação norte-americanos e o FBI, um número crescente de manuais online incentiva os jihadistas a empenharem-se em ataques individuais ou de escala limitada, incluindo atentados contra lideres políticos ou do mundo de negócios, num esforço que parece destinado prioritariamente às “células adormecidas” e aos “lobos solitários”, em particular nos Estados Unidos.


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