Agressões sexuais do clero discutidas no Sínodo

Agressões sexuais do clero discutidas no Sínodo

 

Lusa/Ao online   Internacional   5 de Out de 2018, 07:59

Os escândalos de agressões sexuais cometidas por membros do clero, mas também a necessidade de um discurso mais livre sobre sexualidade, foram esta quinta feira discutidos sem rodeios no Vaticano, no primeiro dia de debates do Sínodo consagrado aos jovens.

“Não temos de defender a instituição, devemos antes defender as crianças e os jovens”, declarou o bispo auxiliar de Lyon, Emmanuel Gobillard, perante cerca de 350 participantes na assembleia e o papa Francisco.

“Face às questões de pedofilia que abalam a igreja, os jovens exigem-nos que a igreja seja uma casa segura”, sublinhou o prelado, durante a primeira sessão de debates do Sínodo, que decorre até 28 de outubro.

“Hoje, a instituição está humilhada pelos pecados escandalosos daqueles que cometeram crimes abomináveis, bem como pelo silêncio gravemente censurável de alguns irmãos nossos”, disse.

Emmanuel Gobillard considerou que as revelações "deram também a possibilidade às vítimas de se reerguerem” e de os responsáveis responderem pelos seus atos.

Outro prelado, cujo nome não foi divulgado, dirigiu-se diretamente aos 34 jovens do mundo inteiro que assistem à assembleia dos bispos católicos, pedindo-lhes “perdão” pelos abusos do clero, mas também por todas as outras falhas da igreja, descreveu um participante.

Gobillard interveio também hoje para defender uma palavra mais direta com os jovens sobre a sua sexualidade.

“Não tenham medo da sexualidade!”, disse o responsável religioso de 50 anos, que figura entre os bispos mais novos da assembleia.

“Na abertura deste Sínodo, é capital lembrar como é importante podermos falar abertamente de sexualidade, que os nossos jovens e os nossos seminaristas possam ser educados para educar bem”, acrescentou.

O bispo francês pediu uma palavra “construtiva” sobre a sexualidade e o celibato nos estabelecimentos escolares, mas também nos noviciados, nos seminários e nos institutos de formação.

Com demasiada frequência, os jovens descobrem a sexualidade pelo “prisma da pornografia (que atinge quase todos) ou do silêncio constrangedor de gerações que não têm as chaves para proporcionar uma educação sólida neste domínio”, sustentou.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.