Administradora do Hospital da Terceira nega interferência em evacuação médica

Administradora do Hospital da Terceira nega interferência em evacuação médica

 

AO Online/ Lusa   Regional   8 de Set de 2018, 09:15

A presidente do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira, Açores, rejeitou esta sexta feira ter interferido na decisão de retirar via aérea um familiar doente em São Jorge, quando havia em simultâneo um pedido de ajuda na Graciosa.

“Eu não interferi, eu tive uma intervenção. No meio médico é frequente haver discussão entre médicos”, adiantou Olga Freitas, pneumologista, admitindo ter telefonado por várias vezes à médica que regula o serviço no Suporte Imediato de Vida (SIV).

A justificação foi dada numa audição na Comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa dos Açores, em Angra do Heroísmo, pedida pelo PSD.

A situação ocorreu em 02 de fevereiro de 2017 e foi noticiada pelo Diário dos Açores em 07 de agosto deste ano. No mesmo dia, o presidente do Governo Regional decidiu abrir um inquérito “urgente”.

O Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores terá recebido nesse dia dois pedidos para socorrer doentes quase em simultâneo: um de uma criança de 13 meses com uma depressão respiratória num contexto de convulsão febril na ilha Graciosa e outro de uma jovem de 20 anos com um traumatismo cranioencefálico em São Jorge.

A coordenadora dos médicos reguladores do SIV, que tal como a reguladora de serviço rejeitou ser ouvida em comissão, denunciou uma alegada interferência da presidente do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira na decisão, numa carta enviada ao presidente da Proteção Civil dos Açores, mas a secretaria regional da Saúde terá decidido que não haveria motivo para avançar com um inquérito.

Segundo a coordenadora, a médica reguladora decidiu que os dois doentes seriam retirados em conjunto, alegando que apresentariam níveis de gravidade semelhantes, mas, após alegadas pressões da diretora do Hospital da Ilha Terceira, optou por dar prioridade à doente de São Jorge, familiar de Olga Freitas.

Ouvida na Comissão de Política Geral, a administradora do hospital disse que telefonou à médica reguladora, não por ser familiar da doente, mas porque a operação de retirada da doente estava a demorar mais tempo do que o previsto.

Segundo Olga Freitas, a jovem que se encontrava em São Jorge sofreu um acidente de viação às 17:26 e a médica reguladora foi alertada às 18:02, mas às 21:16, quando lhe telefonou pela primeira vez, ainda não tinha sido acionada a ajuda, que terá decorrido já depois das 22:30.

A deputada social-democrata Mónica Seidi disse que o despacho normativo que regula as operações de retirada de doentes não prevê a intervenção da presidente de administração no processo, mas a administradora alegou que ligou enquanto médica, realçando sempre que a decisão era da reguladora.

“Eu não tive qualquer intenção de utilizar o meu cargo de diretora do hospital para isso”, salientou, acrescentando que não deu “ordens” e que nunca foi “intimidatória”.

Olga Freitas admitiu ter telefonado pelo menos três vezes à médica reguladora, mas disse que a administradora do Centro de Saúde da Graciosa já tinha ligado antes, alegando que os familiares da criança de 13 meses estariam a ameaçar os médicos.

A responsável do Hospital da Ilha Terceira disse mesmo já ter intervindo em outras situações semelhantes, que não envolveram familiares, e que antigos secretários regionais da Saúde também já o fizeram.

“Desde o passado, em todas as alturas, houve intervenções de pessoas que estão em cargos públicos e que tentam fazer o melhor pelas populações que estão à distância. Eu intervim, não só porque era meu familiar. Sempre que alguém me pede alguma coisa eu intervenho”, avançou.

A administradora disse que ligou aos médicos das unidades de saúde de São Jorge e da Graciosa para apurar a gravidade dos dois casos, antes de ligar à médica reguladora, tendo constatado que a situação de São Jorge necessitava de uma intervenção mais célere.

“No caso de São Jorge, já havia critérios de gravidade e a situação é imprevisível. Não há ninguém, nem um perito, nem um neurocirurgião, que possa prever se aquela jovem vai fazer um grande hematoma ou não. Se for muito grande, tem de ser drenado, senão dá morte”, apontou, acrescentando que a convulsão febril da criança da Graciosa não tinha sinais de meningite e que “não havia nada que fizesse prever que a situação se fosse agravar”.




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