Açores terão centro de dados para monitorização do espaço no primeiro trimestre de 2019

Açores terão centro de dados para monitorização do espaço no primeiro trimestre de 2019

 

Lusa / AO online   Regional   19 de Jun de 2018, 21:02

Os Açores terão em funcionamento até ao primeiro trimestre de 2019 um centro de dados, integrado no centro nacional de operações SST (Space Surveillance Tracking), que visa monitorizar objetos no espaço.


"Esta localização no meio do Atlântico representou de facto uma vantagem competitiva e corresponde àquilo que é a vontade e a prática do Governo: valorizar tanto quanto possível a Região Autónoma dos Açores", disse o ministro da Defesa Nacional.

Azeredo Lopes falava, em declarações aos jornalistas, após visitar o parque de ciência e tecnologia da ilha Terceira, TERINOV, nos Açores, onde ficará instalado o centro de dados.

Segundo o governante, este projeto tem a ambição de "qualificar cada vez mais Portugal como país produtor de ciência e de conhecimento".

"O conhecimento sobre o espaço é algo que tem uma importância muito relevante do ponto de vista da defesa e da segurança e é algo que tem uma não menos importância do ponto de vista da ciência e da tecnologia", frisou.

Azeredo Lopes destacou este projeto e o Centro de Defesa do Atlântico, que será instalado na base das Lajes, como "apostas muito qualificadas do ponto de vista do conhecimento, da tecnologia e da qualificação do emprego".

"Estamos a falar de um investimento importante do ponto de vista do emprego. Em velocidade de cruzeiro, este centro terá em torno de 20 pessoas a trabalhar muito qualificadas do ponto de vista da formação e da exigência do perfil profissional", realçou, referindo-se ao centro de dados.

Portugal integrará, junto com Polónia e Roménia, um consórcio europeu criado em 2014 por Alemanha, França, Itália, Espanha e Inglaterra, para garantir a monitorização do espaço europeu.

Nos Açores, para além do centro de dados, que ficará localizado na ilha Terceira, está prevista a construção de um 'site' radar na ilha das Flores, enquanto no arquipélago da Madeira, no Pico do Areeiro, deverá ser instalado um 'site' ótico.

Segundo o coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, Luís Santos, a assinatura da integração no consórcio deverá ocorrer "na primeira quinzena de setembro", estando prevista a entrada em funcionamento do centro de dados "até ao final do primeiro trimestre do ano que vem".

O objetivo desta "estrutura de visualização e monitorização do espaço" é, por um lado, fazer com que a Europa dependa menos dos sensores americanos e, por outro, tirar partido da valorização comercial do espaço.

"Esses dados que nós partilhamos e que recebemos, que têm um uso científico e comercial, depois são aproveitados para múltiplos fins. O facto de termos este centro aqui na ilha Terceira, neste parque, vai depois servir, esperamos nós, para alavancar o potencial do parque e para servir de elemento âncora para outras unidades tecnológicas privadas", salientou Luís Santos.

Segundo o coordenador da Estrutura de Missão dos Açores, há cada vez mais entidades a fazerem do espaço um negócio, como empresas de telecomunicações ou de sistemas de georreferenciação terrestre, e só nas rotas próximas há mais de meio milhão de objetos a orbitar a terra, que podem ter apenas um centímetro ou o tamanho de um automóvel.

"Cada vez mais, é importante sabermos onde estão os objetos que já estão colocados no espaço e por que caminhos ou rotas podemos aceder ao espaço sem entrar em colisão com esses objetos e sem colocar em perigo os nossos próprios objetos", frisou.



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