Opinião
Diariamente, especialmente na época alta, centenas de turistas visitam o mercado da Graça. Comerciantes e industriais têm feito um esforço significativo na melhoria da sua oferta. Há, felizmente, produtos regionais de qualidade condignamente apresentados. O atendimento é próximo, simpático e interactivo. Porém, as instalações são más e desadequadas à oferta de qualidade que os Açores lutam para afirmar. A última intervenção de fundo de que o mercado foi alvo tem mais de uma década e não foi feliz. Apesar dos sucessivos remendos a coisa tende a ficar cada vez menos digna. Com tanto cimento que se tem empilhado em Ponta Delgada parece incrível que uma remodelação do mercado ainda não tenha sido feita. Ainda mais porque o esforço para aumentar as receitas do turismo é um trabalho de todos. Como sabemos, no actual momento, o comércio tradicional deve merecer uma atenção especial. A baixa de Ponta Delgada pode ter no mercado da Graça a “mega loja âncora” que potencie o aumento do fluxo de turistas mas também de locais. Os produtos frescos, biológicos e o contacto directo produtor/consumidor são hoje extremamente valorizados especialmente por consumidores com algum poder de compra. O mercado precisa de se reposicionar. Tem que se tornar atractivo para as novas gerações. Juntar aos clientes habituais, mais turistas mas também novos clientes locais deveria ser um objectivo de médio prazo. Uma estratégia de promoção das suas mais-valias e alguma animação poderiam incrementar a sua frequência. Ponta Delgada não pode deixar que o mercado da graça permaneça isolado e sem condições. Lutar silencioso e desarmado contra o poder promocional das grandes superfícies é a pior coisa que lhe pode acontecer. Há prioridades que podem não dar votos mas asseguram o futuro.
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