Opinião
1. Perto de embarcar para S. Miguel, dirijo-me ao quiosque do aeroporto da Terceira. Depois de comprar um revista que aborda as questões do mundo lusófono, pergunto à funcionária (desconfiando, todavia, da resposta) se não tem à venda o jornal “Açoriano Oriental”. A senhora, simpaticamente, respondeu-me com um não redondo, ficando eu com a convicção de que a resposta significaria qualquer coisa como: obviamente, não. O tal quiosque tinha até muitas revistas estrangeiras mas não vendia nenhum título da Ilha de São Miguel. Será que as pessoas não lêem jornais das outras ilhas? Ou será que alargamento real do mercado não tem interesse económico? Sendo verdade que é, igualmente, impossível encontrar qualquer título da Ilha da Terceira à venda, por exemplo, em São Miguel, julgo que este episódio constitui o reflexo da própria capelinha que, muitas vezes, vivemos e perpetuamos nos Açores. Por ventura, as tais capelinhas (que assumem também outras formas) estão enraizadas na própria dinâmica cultural e histórica das ilhas mas devemos assumir de que elas constituem, em muitas circunstâncias, um entrave para um desenvolvimento mais pujante da Região. Quando se constrói numa determinada estrutura numa ilha e por mais megalómana que seja existem sempre as tais vozes que reivindicam uma estrutura idêntica para a sua ilha e por aí fora. No caso dos jornais, estamos a falar de um mercado regional absolutamente exíguo, tanto a nível de leitores como na publicidade e deve ser, aliás, um exercício penoso garantir a sobrevivência de muitos títulos. Não estou a sugerir outra coisa senão fazer com que as pessoas possam ter acesso nas ilhas onde vivem de jornais de outras ilhas. Será assim tão complicado? 2. É inquestionável o salto que os Açores deram nos últimos dez anos e, apesar de substituírem problemas estruturais (e.g. baixo nível de qualificação da população açoriana, deficiente sistema produtivo) vive-se incomparavelmente melhor do que há alguns anos atrás. Estamos, doravante, numa fase de desenvolvimento da Região que não basta fazer, pois fazer qualquer um faz; precisamos de fazer tendo sempre como horizonte a excelência, ou seja, é necessário fazer e bem. Porventura seria inevitável o percurso em que era necessário simplesmente fazer por fazer. Como os fundos estruturais não durarão para sempre e perspectivando que a concorrência de outras regiões e países será cada vez maior, é crucial que toda a sociedade açoriana e, sobretudo, aqueles que têm a responsabilidade governativa e política percebam isto para que possam agir em conformidade. Quando olhamos, por exemplo, para o sector do turismo percebemos da necessidade em dar o tal salto. O turismo é justamente uma daquelas áreas em que já passamos a parte relativamente mais fácil que é aproveitar os fundos comunitários e potenciar a construção de unidades hoteleiras e outras estruturas de apoio, sem esquecer companhia aérea de bandeira regional. Já estamos numa segunda mais difícil mas determinante para a sustentabilidade do sector do turismo: fazer com que as pessoas venham visitar a Região e, preferencialmente, que voltem e que sejam verdadeiros promotores na Região junto de outras pessoas. Mesmo com este verão esquisito (é o que temos) precisamos que o turismo seja efectivamente um dos alicerces de desenvolvimento destas ilhas. Para isso, precisamos dos tais indivíduos não residentes nos Açores mas que por aqui permanecem por um período superior a 24 horas. De preferência aqueles que viajam acompanhados dos cônjuges, dos filhos e das sogras, que gostam de uma boa refeição e que adoram comprar artesanato local. Estes indivíduos são mais conhecidos por “ turistas”.
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