Opinião
A semana que passou foi fértil em notícias que devem fazer-nos pensar sobre o estado da Região em duas matérias: turismo e desemprego. Em relação ao turismo, foram disponibilizados incentivos sem precedentes, tanto no contexto regional como em comparação com o nacional, para a construção de unidades hoteleiras. Se em 1997, por exemplo, tínhamos apenas 69 estabelecimentos hoteleiros, dez anos depois registou-se um crescimento de mais de 200%, sendo que a actual oferta hoteleira está pouco acima das 200 unidades. Neste momento temos hotéis e não temos turistas. Todos estão de acordo em relação ao diagnóstico (governo e partidos da oposição) e o grande problema é que não vejo ninguém apresentar soluções. Quando me refiro a soluções não estou a pensar nas de curto prazo, pois essas o Governo Regional tem concretizado, como maior ou menor eficácia; estou, sim, a pensar em soluções de longo prazo, que devem assentar necessariamente sobre o tipo de desenvolvimento que queremos para os Açores e quais as áreas que deverão sustentar essa mesma dinâmica de desenvolvimento. Em relação ao desemprego, julgo que o raciocínio poderá ser o mesmo, a par com uma visão realista das nossas limitações. Estamos a falar de uma região pequeníssima, com uma população com níveis de instrução ainda muito baixos e um sistema produtivo e empresarial também pequeno. Mesmo assim, e apesar do crescimento do desemprego nos últimos meses, ainda temos a taxa mais baixa do país. Aqui, impõe-se igualmente um debate e uma reflexão sobre políticas estratégicas para o combate ao desemprego. Digo isto porque devemos ter a perfeita noção de que muitas das políticas que estão a ser aplicadas nos Açores não resolvem estruturalmente o nosso problema de desemprego, vão apenas “empurrando” o problema para a frente, apesar de elas apresentarem claras vantagens com o resto do país. Por exemplo: os programas de estágio, em comparação com o contexto nacional, apresentam condições mais vantajosas, tanto na remuneração como nos encargos para as entidades patronais. É neste contexto de crise e das limitações reais da região (mas também das potencialidades) que devemos todos pensar os Açores daqui a vinte ou trinta anos. Quando governamos à vista e as críticas também são de curto alcance, corremos o risco de perder ainda mais oportunidades.
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