Opinião
Tive o prazer de partilhar, na semana passada, a minha perspectiva sobre a imigração no âmbito de um seminário promovido pela British Council sobre a percepção da Europa e a sua ligação com as questões migratórias. Independentemente do nosso posicionamento sobre a matéria, julgo que a primeira questão que devemos colocar é se é possível compreender a Europa de hoje sem um olhar atento à presença dos imigrantes e da diversidade cultural. A resposta é, obviamente, não. A segunda questão prende-se em saber se a Europa, que precisa de imigrantes, os trata de forma digna e se promove a sua integração? A minha resposta é, também, não. O que quero afirmar é que existe, por um lado, uma necessidade real dos imigrantes no espaço europeu, mas existe uma dificuldade clara em assumir políticas que vêem os imigrantes como cidadãos de pleno de direito. Aliás, muitas vezes assistimos a um reforço de discursos e práticas assentes na segurança e na gestão dos fluxos migratórios em detrimento de políticas de integração. A realidade portuguesa modificou-se muito nos últimos anos e, hoje, podemos considerar que Portugal, para além de ser um destino migratório consolidado, possui políticas activas de promoção de integração dos imigrantes cujos resultados são, em alguma áreas, relativamente satisfatórios. Nesta avaliação queria chamar a vossa atenção para dois aspectos importantes: o primeiro, é que as autoridades portuguesas despertaram tardiamente para a realidade da imigração e, por isso, praticamente não existiam até há pouco tempo respostas políticas e públicas em prol da integração. O segundo aspecto é o pouco contraste cultural (em comparação com os restantes países europeus) existente entre as várias comunidades de imigrantes com a população portuguesa. Em relação a este último aspecto, que deveria ser entendido claramente como uma vantagem, acaba por funcionar na prática como um obstáculo no sentido de Portugal assumir de forma mais eficiente a integração dos imigrantes. Basicamente, todos pensam, nós pensamos, que estamos entre “primos” e “irmãos” e que não é necessário concretizar algumas rupturas e sermos mais eficazes no processo de integração.
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