Açoriano Oriental

Opinião

Paulo Mendes Portugal dos diagnósticos

Paulo Mendes
Sociólogo

2010-01-14

À medida que o tempo vai passando por todos nós ganhamos a clara noção de que não existem medidas mágicas para os problemas. Sabemos todos que o único possível caminho é o trabalho árduo e permanente sobre as soluções. Ontem, enquanto estava a assistir ao programa Prós e Contras, reforcei a minha convicção de que Portugal é, definitivamente, um país exemplar em diagnosticar. Soluções nem vê-las. Eu sei e todos sabemos que Portugal precisa desesperadamente de colocar as suas contas públicas em dia, objectivo que passa necessariamente por diminuir as despesas e aumentar as receitas. O problema é como fazer isso sem descurar a ajuda aos mais pobres, sem gerar desempregos, etc. Sei e todos sabemos que a educação é o calcanhar de Aquiles do País e que a manter os actuais níveis de escolaridade Portugal terá um lugar cativo na cauda da Europa. O problema é como fazer isso! Quando se massifica a acesso à formação, nomeadamente do nível superior, algumas vozes surgem com o discurso de que o país andou a formar doutores para o desemprego, já que a estrutura produtiva não consegue absorver todos os diplomados. No entanto, não massificando o ensino superior, Portugal continuará com os mais baixos índices de escolaridade e a tal diversificação do sistema produtivo assente nas novas tecnologias continuará a ser uma miragem. Sabemos ainda que o rendimento social de inserção, sendo uma medida muito positiva na sua génese e consequência para muitas famílias tem gerado situações de claro desincentivo racional ao emprego. Isso todos nós já sabemos e mais uma vez o problema é como garantir que milhares de pessoas possam ter o mínimo para sobreviver sem gerar efeitos perversos!? Sabemos ainda que a sociedade portuguesa está a envelhecer e a situação só não é ainda mais dramática graças à presença dos imigrantes. Enfrenta-se, no entanto, o dilema entre aumentar a idade da reforma e por consequência a possibilidade do Estado arrecadar mais dinheiro para garantir alguma sustentabilidade do sistema da Segurança Social e convergir com a ideia do envelhecimento activo ou, por outro, ir ao encontro das legítimas expectativas das pessoas em trabalharem até aos 65 anos. O tempo está a ficar cada vez mais escasso e o País e os Açores precisam de soluções, pois todos nós já sabemos quais são os problemas.
 

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