Açoriano Oriental

Opinião

António Soares Marinho Crónica de uma crise anunciada

António Soares Marinho
Economista

2009-12-28

Está quase a terminar o ano de 2009. É época de balanço. Há um ano atrás, como todos se lembram, as expectativas eram muitíssimo sombrias. A crise estava plenamente instalada a nível mundial e, a não ser na mente de alguns mais “optimistas”, seria muito improvável que a economia açoriana constituísse uma excepção. Sabia-se que, por cá, os efeitos de uma conjuntura internacional profundamente adversa iriam acentuar debilidades nunca ultrapassadas, ou até potenciadas por uma estratégia de desenvolvimento que se tem mostrado cada vez mais inadequada. As perspectivas de há um ano concretizaram-se. Neste ano de crise de 2009, grande parte das famílias açorianas viu-se obrigada a “contar” e a gerir com redobrados cuidados os euros e os cêntimos recebidos mensalmente, para que o “fundo das algibeiras” não fosse sentido antes do final do mês. Situação ainda mais grave foi a sentida nos muitos lares açorianos que se viram invadidos pelo fenómeno do desemprego, que levou a que milhares de pessoas vivam actualmente um drama social extremamente complexo. Neste ano de crise que agora termina, uma larga maioria das empresas açorianas “correu atrás do prejuízo”. Os volumes de negócios caíram substancialmente e não lhes restou muitas vezes outra hipótese que não a de dispensa de alguns dos seus colaboradores. Das medidas que o governo criou para combater a crise, algumas foram “invisíveis” e outras apenas serviram para resolver temporariamente alguns “apertos” mais volumosos. Sabemos que as famílias e empresas açorianas gostariam, obviamente, de não ter tido razão há um ano, quando temiam pelo que se poderia vir a passar. Naturalmente que prefeririam que os seus piores vaticínios não se tivessem concretizado. No entanto, um ano depois, estão capacitadas que o “milagre” que alguns anunciaram não aconteceu. As altas expectativas do “chega mais tarde e vai-se embora mais cedo”, que os governantes açorianos tentaram criar, goraram-se em absoluto. Seria preferível ter aqui desenhado um cenário mais positivo? Claro que sim, seríamos mais simpáticos. Mas não seríamos realistas. Por muito que nos agrade esboçar um sorriso, recusamos ir ao arrepio do que as pessoas sentem. 

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