Opinião
Regresso à coluna depois de uma interrupção forçada devido à directiva da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a qual não foi aplicada por todos os órgãos de comunicação (regionais e nacionais). A sua aplicação é uma forte condicionante a quem colabora e na prática não garante a isenção pretendida, porque a opinião político-partidária não está vedada, neste caso, apenas e somente, aos candidatos. Porém, esta foi a opção deste jornal, que respeito, mas com a qual não estive nem estou de acordo. Adiante. A semana que passou e, mesmo esta, têm sido pródigas em análises e comentários aos resultados eleitorais do passado dia 11 de Outubro. Há quem tenha vaticinado vitórias a priori sem esperar pelo fecho das urnas. Deu-se mal. Ou fez com que isso fosse relativizado, através da singularidade e personalização do acto e circunscrevendo os Açores à sua maior cidade. É uma interpretação altruísta daquilo a que chamam desenvolvimento harmónico ou quando isso não dá jeito o melhor é fingir que não é nada connosco. Uma posição em claro contraponto com a visão clarividente de Ângelo Correia, em entrevista ao DN, que diz o seguinte: “Não posso falar em nome dos outros. Mas se fosse líder sentia-me demitido na noite das eleições autárquicas”. Isto quando questionado sobre a sua percepção do resultado eleitoral nas autárquicas, e após o que acontecera nas legislativas. Elucidativo?! Muito. Os dias têm também sido pródigos em aspectos laterais sob o signo do simulacro. A forma pela qual foi tornada pública a reivindicação estatutária de um deputado da Assembleia Legislativa Regional dos Açores em nada contribuiu para o elevar da disputa político-partidária. Bem pelo contrário. Esvaziou-a de significado. E foi reduzida ao ridículo. É caso para se dizer que sem os medium não haveria message. PS: Ao ler o editorial de domingo do Açoriano Oriental dei com uma referência explícita “a guerras dos Museus”. Será importante aqui referir que ao dar-se conta da existência de alguma “guerra” convém não esquecer quem é que aqui é o agressor. Outra leitura que faço é a de que a mesma referência bélica vem dar razão àqueles que verbalizam que há jornalistas que gostam de sangue. Não em sentido literal, é certo! Mas por vezes fica-me a dúvida.
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