Opinião
Tenho tido o privilégio de participar num projecto desenvolvido pela British Council, denominado Transatlantic Network 2020 (TN 2020). Basicamente, o TN2020 pretende fortalecer os laços entre a Europa e América de Norte, a partir da criação de uma rede sustentável de jovens líderes, provenientes de diferentes áreas de acção e formação, proporcionando-lhes o alargamento das suas próprias perspectivas e competências de liderança, ao mesmo tempo que contribui para um futuro mais forte no relacionamento transatlântico. Todos sabem que o mundo enfrenta, actualmente, desafios gigantescos que não são compatíveis com actuações isoladas nem suportadas por visões egocêntricas e alicerçadas em interesses de cada país.
Os problemas que temos à nossa frente não são ficção nem deve ser abordados por questões de cliché. Os efeitos das alterações climáticas são reais. Na recente Cimeira do G8, realizada no Japão, saiu um acordo para a redução em 50% das emissões de carbono para a atmosfera até 2050. China, Brasil, Índia, México, Índia e África do Sul defendem metas de 25% a 40%, com o argumento de que os países mais industrializados devem assumir a liderança na redução de emissão de gases, possibilitando maior espaço de manobra às economias emergentes. O argumento é compreensível mas muito discutível. No entanto, são esses interesses, muitas vezes antagónicos, que constituem os obstáculos na resolução dos nossos problemas colectivos. Também não é novidade que o mercado petrolífero mundial está a ficar a cada dia mais insuportável economicamente. A produção do crude, defendem os especialistas, está a chegar a um pico e no final da próxima década haverá um colapso, com consequências imprevisíveis. As migrações forçadas, resultantes da pobreza extrema em que uma parte da população mundial vive e da instabilidade política, estão a colocar em causa o conceito de fronteira e a capacidade dos Estados controlarem fluxos migratórios. A única forma que os Estados têm de lidar seriamente com os fluxos migratórios irregulares é promoverem condições de vida dignas a um maior número de pessoas. Privilegiar os meios repreensivos para resolução do problema dos fluxos irregulares é contraproducente e os políticos sabem-no muito bem. Porém, querem é passar para a opinião pública a ideia de que os Estados conseguem regular os fluxos migratórios. Nada mais falso.
A Europa e os Estados Unidos têm um papel cada vez mais central na procura de melhores soluções para alguns dos desafios atrás referidos e para que possamos construir uma ponte sólida é fundamental que se conheça, pelo menos, as duas margens, sob pena de ela ruir a qualquer momento. Sob vários domínios, a Europa e os Estados Unidos são actores da primeira linha no mundo, mas prevalece uma falta de conhecimento e de compreensão mútua, não obstante a vontade existente no estreitamento das relações, conclusões que foram retiradas de um estudo encomendado pelo Bristish Council com propósito de avaliar o grau de relacionamento entre europeus e norte-americanos e as percepções e imagens existentes entre ambos. A partir deste estudo, realizado na Grã-Bretanha, EUA, França, Alemanha, Polónia, Turquia, Irlanda, Canadá e Espanha, ficámos a saber que prevalecem estereótipos entre os dois lados do Atlântico e a avaliação da cooperação entre americanos e europeus na busca de soluções para as questões globais é negativa. A título de exemplo, nas alterações climáticas 58% dos inquiridos avaliaram negativamente o actual estado da cooperação e 53% nas questões migratórias. Indo contra o que seria expectável, o relacionamento comercial foi a única área que mereceu uma avaliação positiva.||
Os problemas que temos à nossa frente não são ficção nem deve ser abordados por questões de cliché. Os efeitos das alterações climáticas são reais. Na recente Cimeira do G8, realizada no Japão, saiu um acordo para a redução em 50% das emissões de carbono para a atmosfera até 2050. China, Brasil, Índia, México, Índia e África do Sul defendem metas de 25% a 40%, com o argumento de que os países mais industrializados devem assumir a liderança na redução de emissão de gases, possibilitando maior espaço de manobra às economias emergentes. O argumento é compreensível mas muito discutível. No entanto, são esses interesses, muitas vezes antagónicos, que constituem os obstáculos na resolução dos nossos problemas colectivos. Também não é novidade que o mercado petrolífero mundial está a ficar a cada dia mais insuportável economicamente. A produção do crude, defendem os especialistas, está a chegar a um pico e no final da próxima década haverá um colapso, com consequências imprevisíveis. As migrações forçadas, resultantes da pobreza extrema em que uma parte da população mundial vive e da instabilidade política, estão a colocar em causa o conceito de fronteira e a capacidade dos Estados controlarem fluxos migratórios. A única forma que os Estados têm de lidar seriamente com os fluxos migratórios irregulares é promoverem condições de vida dignas a um maior número de pessoas. Privilegiar os meios repreensivos para resolução do problema dos fluxos irregulares é contraproducente e os políticos sabem-no muito bem. Porém, querem é passar para a opinião pública a ideia de que os Estados conseguem regular os fluxos migratórios. Nada mais falso.
A Europa e os Estados Unidos têm um papel cada vez mais central na procura de melhores soluções para alguns dos desafios atrás referidos e para que possamos construir uma ponte sólida é fundamental que se conheça, pelo menos, as duas margens, sob pena de ela ruir a qualquer momento. Sob vários domínios, a Europa e os Estados Unidos são actores da primeira linha no mundo, mas prevalece uma falta de conhecimento e de compreensão mútua, não obstante a vontade existente no estreitamento das relações, conclusões que foram retiradas de um estudo encomendado pelo Bristish Council com propósito de avaliar o grau de relacionamento entre europeus e norte-americanos e as percepções e imagens existentes entre ambos. A partir deste estudo, realizado na Grã-Bretanha, EUA, França, Alemanha, Polónia, Turquia, Irlanda, Canadá e Espanha, ficámos a saber que prevalecem estereótipos entre os dois lados do Atlântico e a avaliação da cooperação entre americanos e europeus na busca de soluções para as questões globais é negativa. A título de exemplo, nas alterações climáticas 58% dos inquiridos avaliaram negativamente o actual estado da cooperação e 53% nas questões migratórias. Indo contra o que seria expectável, o relacionamento comercial foi a única área que mereceu uma avaliação positiva.||
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