Açoriano Oriental
Pedro Nunes Lagarto Onde estão as oportunidades?

Pedro Nunes Lagarto

2010-09-06

Um açoriano, radicado em Paris, foi promovido a director criativo da reputada marca Lacoste. Chama-se Felipe e é mais um caso de um português que consegue alcançar o sucesso no estrangeiro, mesmo que para isso tenha competido com vários estilistas internacionais candidatos ao lugar de criativo no prêt-a-porter de luxo da marca parisience. O seu êxito, porém, leva a reflectir sobre quantos “Filipes” não estará Portugal a deixar escapar para o estrangeiro por ser hoje um País pouco atractivo. Aliás, nestes últimos anos, a nova “vaga” de emigração, jovem e academicamente musculada, é bem exemplo desta incapacidade da gerar respostas para os novos licenciados. Mas, não bastará constatar que Portugal falha em proporcionar emprego e apresentar perspectivas. Tão pouco a “eternização” dos mais variados programas de estágio não constitui, de todo, a saída pretendida pelos mais novos e suas famílias. Nem que o Ministério “chumbe” ao nível da orientação vocacional dos pré - universitários. Que as universidades têm dificuldade em adequar os cursos às exigências do mercado. Que muitos empresários mantêm a preferência pela mão-de-obra barata e precária. E por fim que o Governo tarda em cumprir a promessa de criar oportunidades de emprego. Face à quase falência do “Sistema”, torna-se assim legítimo exigir da classe política que apresente soluções concretas para os mais de 548 mil desempregados inscritos nos centros de emprego de todo o País (62 mil dos quais com menos de 25 anos de idade) e, por outro lado, responsabilizar politicamente, em futuros actos eleitorais, quem não está à altura dos desafios que se colocam ao País. É que de políticos com boa imagem e discurso fluente já estão os portugueses fartos. Ou não? * A Gorreana vai colocar a sua linha de gelados tradicionais à venda nos Hotéis Bensaude, o maior grupo turístico dos Açores. Estamos perante um exemplo de como contornar um dos grandes dilemas do sector produtivo regional - garantir o escoamento de artigos de qualidade que, no entanto, pela falta de produção em massa e desafios logísticos, têm dificuldade em chegar ou se afirmar no mercado externo, onde são forçados a competir com “tubarões” nas grandes superfícies. Para além da aposta no segmento “gourmet”, também as parcerias comerciais entre as “pequenas” e as “grandes” empresas da Região Autónoma poderão constituir uma boa solução para se garantir a venda dos produtos locais de qualidade. São os “grandes” a puxar os “pequenos” para cima. E as mais - valias ficam todas na Região. Nesse capítulo, só é pena que algumas empresas do sector público teimem em não acolher artigos regionais e por essa via contribuir para impulsionar e consolidar a produção local.

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