Açoriano Oriental
Pedro Nunes Lagarto Turismo: aprender com a crise

Pedro Nunes Lagarto

2010-08-09

O Turismo vive uma época dramática e os Açores não são excepção. Depois de em 1996 este Governo socialista ter tido a coragem e o engenho de diversificar a base económica regional pondo fim à tradição da monocultura da vaca e de ter criado condições de estabilidade política e de investimento o sector experimentou um crescimento sem precedentes nos Açores. Partindo de uma base muito ténue o Turismo evoluiu acima dos dois dígitos. O Governo acreditou, os empresários também. Multiplicaram-se os investimentos. O sucesso foi de tal ordem que pela primeira vez a Região conseguiu deixar de estar dependente do mercado emissor nacional e abrir uma nova frente, no Norte da Europa. A questão é que mesmo antes do final de 2008 já se havia percebido que o Turismo é um sector bastante complexo refém de inúmeras variáveis internas e externas e que, portanto, seria impossível continuar a crescer ao ritmo antes experimentado. À natural desaceleração nos principais indicadores somou-se a saturação do mercado nórdico sem que o Governo e os privados conseguissem criar uma alternativa sustentada. E quando o sector testava novos destinos veio a Crise. O xadrez do Turismo mundial sofreu alterações radicais e a maioria dos turistas colocou como primeiro critério para viajar o preço. Ora, este é precisamente o óbice do Turismo açoriano que do ponto de vista do preço nunca foi competitivo, sobretudo devido ao tarifário praticado pela SATA, não sendo de menosprezar, igualmente, os preços oferecidos pela generalidade dos hotéis. Ora, nos Açores, Poder e privados levaram tempo a reagir. Outros destinos não. E hoje é o que se vê. De qualquer modo, as actuais dificuldades têm também um efeito positivo: permitiram acabar, e bem depressa, com o mito de que o Turismo seria o “Eldorado” da economia açoriana; forçaram as entidades públicas e privadas a investir em novas formas de promoção no País e no exterior; testar novos destinos; concertarem esforços; reforçar a formação profissional; apostar na certificação. O Turismo é relativamente jovem nos Açores. É ponto assente que o Governo Regional e os empresários estão a aprender. A questão é se serão capazes de o fazer depressa e a prevenir em vez de tentar remediar. E a esse respeito há uma lição que mesmo um aluno mediano já deveria ter aprendido: com tarifários aéreos destes não vamos a lado algum. Dito de outra forma, quem de direito tem que definir, de uma vez por todas, se o mais importante para a Região são as contas da SATA ou todo um sector.
 

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