Talvez não saibam mas os esquimós são dos povos com menor esperança de vida, em média cada esquimó não vive mais que 39 anos. Um valor demasiado baixo quando comparado com a realidade europeia e da globalidade dos países ditos desenvolvidos. Na Europa os homens têm uma esperança média de vida ligeiramente abaixo dos 80 anos e as mulheres ligeiramente acima. O aumento do número de anos que vivemos uma vida saudável e plena é um facto positivo, que resulta dos progressos que a humanidade tem conseguido a vários níveis, desde logo na medicina e ciências afins. Contudo o reverso da medalha tem vindo a causar sérios problemas e ameaça fazer implodir o sistema social de muitos países europeus, confrontados que estão com o aumento da população dita idosa, em idade de reforma e, como tal, a receber os benefícios a que tem direito e para os quais descontou durante toda uma vida de trabalho. Não são de agora as previsões que apontam para que caso nada seja feito Portugal venha a ter problemas a médio prazo, uma situação que se agrava com a debilidade do nosso crescimento económico que na melhor das hipóteses crescerá nos próximos anos uns tíbios 2 por cento. Para sustentar o actual modelo Social o país teria que crescer no mínimo ao dobro dessa velocidade e os mais pessimistas afirmam que mesmo assim seria insuficiente. Este cenário coloca várias questões e exige uma solução “rápida” sob pena de estarmos a hipotecar o nosso futuro. Ora vejamos, como o aumento da esperança média de vida aumenta, como já se referiu, o número da população reformada, o que exige do Estado um maior esforço financeiro para garantir Saúde gratuita para todos, pensões de reforma e restantes benefícios. Soluções? Aumentar a idade de reforma. Ao contrário do que se possa pensar esta medida não vem resolver o problema antes cria um outro, aumenta a taxa de desemprego entre os mais jovens, sendo de notar que é justamente entre os mais jovens que a taxa de desemprego tende a crescer na Europa. Soluções? Manter a idade da reforma ou antecipá-la. De novo não resolve o problema, porquanto a população activa não garante ao Estado os meios para poder fazer face a uma população cada vez mais envelhecida, e com uma esperança média de vida alargada em relação ao passado. A verdadeira solução não é fácil e passa por repensar o actual modelo Social. Por exemplo, na Saúde há que assumir de uma vez por todas que não pode haver uma política igualitária transversal a todos os cidadãos. Não faz sentido que quem aufere, por hipótese, 40 mil euros por ano tenha o mesmo tratamento por parte do Estado que quem recebe apenas 7 mil euros anuais. Assuma-se, de uma vez por todas, que ser justo é não tratar todos de forma igual. Se estas medidas não se conseguem via acordos político-partidários então que se inscreva na Constituição da República Portuguesa as regras para um modelo mais justo e sustentável.
Últimos editoriais








