Açoriano Oriental
Paulo Simões 2010: honrar o passado

Paulo Simões

2010-04-12

As primeira páginas impressas do Açoriano Oriental abriram-se aos leitores no dia 18 de Abril de 1835. Fundado por Manuel António de Vasconcelos, o jornal era “apenas” mais um entre os muitos títulos que surgiram na época, sobretudo na primeira parte do século XIX, e que mais não eram do que o reflexo de uma actividade intelectual e política efervescente e particularmente interessante. Com o passar do tempo todos os outros “jornais” acabaram por esmorecer e desaparecer, todos menos o Açoriano Oriental, que soube sempre, desde o primeiro dia, manter acesa a chama da açorianidade e de cumprir o seu estatuto editorial, ainda hoje em vigor, e que preconiza, como ideia forte, a defesa dos Açores e dos açorianos. Passados 175 anos, tal como as ilhas no meio do Atlântico, o Açoriano Oriental mantém-se como um farol na comunicação social açoriana, sendo respeitado e considerado como um título de referência na Região mas também no Continente. De resto, não foi por acaso que em 2003 foi distinguido com o título de melhor jornal regional do país. Uma distinção que muito me honra, bem como a toda a equipa que contribuiu para o sucesso do jornal. Um sucesso que não nos fez abrandar ou acomodar, antes pelo contrário, fez-nos sentir ainda mais a responsabilidade que diariamente recai sobre a redacção. De edição em edição completamos no próximo domingo 175 anos e a festa é para todos. No sábado, dia 17, as portas do Coliseu Micaelense abrem-se para o nosso Grande Baile de Gala, uma festa que é de todos: dos assinantes do jornal, do público em geral, dos nossos colaboradores, funcionários e amigos, mas também das instituições e entidades oficiais com quem privamos formal e profissionalmente. No sábado, para além do espectáculo de Luís Alberto Bettencourt que antecede o Baile de Gala, haverá, certamente, espaço para que os leitores e o grande público, entre dois passos de dança, possam trocar ideias e conversar com os jornalistas e editores que respondem diariamente pelas estórias publicadas no nosso jornal. Mais à frente, em Maio, iremos debater o futuro da imprensa regional, num evento que espero participado e motivador de reflexão sobre o que nos reserva o horizonte dos media locais. Ainda este ano será publicado um livro sobre a história do Açoriano Oriental, uma obra que se quer de referência e que tem a assinatura de prestígio e qualidade da Universidade dos Açores. Para além da agenda de aniversário, 2010 está a ser também o ano que marca um reforço da nossa aposta no jornalismo de proximidade. Queremos cada vez mais os nossos repórteres perto das pessoas, dentro das localidades, a sentir o pulsar das nossas gentes, e menos preocupados com a agenda oficial que, diariamente, chega às redacções. Só assim conseguiremos manter acesa a chama que há 175 anos transportamos, e homenagear quem no passado trilhou os caminhos que nos trouxeram até aqui.

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