Veio de mansinho, foi subindo de forma silenciosa, como a água em época de cheias. Aos primeiros sinais de que algo ia mal, o Governo respondeu que, apesar de tudo, os Açores estavam relativamente bem protegidos contra os efeitos de uma crise que primeiro foi financeira, depois económica e agora também é social. Os números do desemprego na Região atingiram, no final do ano passado, valores preocupantes para um arquipélago de frágil capacidade económica e débil iniciativa privada. Os mais de seis mil desempregados registados no mês de Dezembro último representam um agravamento de quase 50 por cento em relação ao período homólogo de 2008, e uma subida de quase 5 por cento em relação a Novembro de 2009. A estes dados há que adicionar a situação difícil ou muito difícil em que se encontram algumas grandes empresas açorianas. Um cenário que vai obrigar o Governo regional a entrar no capital social de algumas, senão todas, essas empresas. Carlos César já deu esse sinal quando, à margem de uma conferência no Palácio de Sant’Ana, admitiu que o governo vai “ ter que avançar com outras intervenções” como a que foi feita “com a fábrica de Santa Catarina”, em São Jorge. Na lista de empresas em situação problemática estão a VerdeGolf, a Sinaga, mas, também, a Asta poderá vir a ser alvo da ajuda do Executivo. O “mecenato empresarial” merece, contudo, uma palavra de prudência por parte da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, e a crítica de alguns empresários. Caso o Governo avance por esta via é fundamental que fiquem claros os termos em que tal intervenção será feita, quais os critérios adoptados e que contrapartidas as empresas terão que dar. E nunca é de mais relembrar a ingenuidade deste e anteriores governos em lidar com a “letra miúda” dos contratos estabelecidos em nome dos Açores. Veja-se o caso da Asta que, meio à socapa, assinou com Duarte Ponte uma “adenda” que prorrogou os prazos para o arranque do Hotel-Casino em São Miguel, deixando o actual secretário regional da Economia numa situação, no mínimo, desconfortável. E se é certo que os trabalhadores devem ser alvo de apoio , também é verdade que a má gestão empresarial não merece ser recompensada, sob pena de os erros cometidos no passado serem branqueados e repetidos no futuro.
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