Nos Açores passam-se dias, semanas e até meses sem que nada de particularmente novo e relevante aconteça. Basta seguir com alguma atenção os telejornais da nossa televisão, ouvir os noticiários das nossas rádios e folhear os diários que se publicam na Região. São quase sempre as mesmas caras, as mesmas vozes, os mesmos tiques e os mesmos truques e mimetismos. Contudo, não há regra sem excepção e a semana que agora finda foi pródiga em acontecimentos estranhos, alguns mesmo a roçar o bizarro. Ora vejamos. Foi estranha a decisão do deputado regional do PPM, Paulo Estêvão, em fazer greve de fome como forma de pressionar o Governo e deputados regionais a resolverem a falta de uma “mini-delegação” da Assembleia Regional no Corvo. Aqui a estranheza é dupla. Estranha-se que o Governo ainda não tenha arranjado uma solução definitiva e permita o arrastar de um processo que em nada dignifica a Região. Não há argumento que justifique esta situação bizarra e desrespeitosa. Se houvesse de facto vontade o caso já estaria resolvido. Quanto à greve de fome... foi uma bizarria de curta duração. Estranha foi também a forma como o Governo regional decidiu atribuir um subsídio aos agricultores afectados pela seca do último Verão. Fazer depender a atribuição do subsídio à obrigatoriedade de adquirir milho apenas e só à Associação Agrícola, só não ganha contornos de “fenómeno do Entroncamento” porque não tem piada, e revela uma atitude pouco séria das partes envolvidas. Cheira a negócio pouco claro, mais do que isso, a acordos perfumados por compromissos eleitorais. Afinal, o milho também compra votos, ou não fosse a nossa sociedade politicamente mercantilista. Outro acontecimento estranho e que não é de agora: o governo anda a “meter” publicidade, 3 a 4 páginas a cores, num jornal local gratuito. Atentem nas Secretarias que endossam a publicidade e nas figuras que as tutelam. Diz-me o que escreves, dir-te-ei quanta publicidade te comprarei... Bizarro é o uso que o governo continua a dar ao GACS. Esta semana foi a secretária regional da Educação que preferiu não responder ao apelo de um órgão de comunicação social e responder através de um “esclarecimento” publicado no tal GACS. Bizarro? Sim. Ridículo? Muito. Por fim, mas não por último, a maior das bizarrias é de índole cultural, que poderá passar à história como “A guerra dos Museus”. As eleições regionais não estão assim tão longe, e a pobre da cultura vê-se de repente envolvida numa guerra de nomes. Apetece dizer: “tomem tino”.
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