Acordo de concertação social revela “impulso suicidário”
Nacional | 2012-01-27 12:54
"Pode parecer um exagero o que vou expressar, mas é um facto que a política de austeridade teve um novo impulso suicidário com o recente acordo de concertação social", disse o secretário-geral da Intersindical na abertura do XII Congresso da CGTP, que hoje começa em Lisboa.
Carvalho da Silva referiu que o acordo tripartido assinado na semana passada entre o Governo, confederações patronais e UGT "foi feito num contexto de rápido agravamento da situação do país".
De acordo com o secretário-geral da Intersindical, o "âmago" do acordo "não é o estímulo da economia, mas o reforço da austeridade, a diminuição da retribuição e a desregulamentação do trabalho, um retrocesso social sem precedentes depois do 25 de abril".
Ou seja, o acordo tripartido, que deixou de fora a CGTO, "é um acrescento de medidas restritivas", referiu.
"Este acordo merece-nos repulsa", exclamou Carvalho da Silva, sublinhando que "estava confirmado que o acordo seria um desastre" e "este não é lei".
Por isso, a CGTP promete continuar a lutar contra os "ataques aos trabalhadores". "Uma organização sindical pode e deve ter presente o contexto de ataque e tentar agir, mas nunca sancionar medidas que só vão contra os trabalhadores e o povo", disse Carvalho da Silva, que acusa o patronato e a 'troika' de serem "insaciáveis".
Perante uma plateia composta por mais de um milhar de sindicalistas, reiterou que "este acordo acabou por se resumir às mexidas na legislação laboral" e apelou à participação da manifestação nacional de 11 de fevereiro.
Após fortes aplausos, prosseguiu: "dois dias depois da assinatura do acordo, vem um elemento da 'troika' dizer que é preciso ressuscitar o debate para a taxa social única (TSU), o que já merece o acordo do patronato".
Ora, "o sentido deste acordo e com que nos querem impor mais austeridade merece uma resposta da nossa parte", frisou ainda, lembrando que o recuo da 'meia hora' por parte do Governo é uma vitória para os trabalhadores que o conseguiram através da luta.
A CGTP não aceita, acentuou, a redução das férias, do número de feriados que são um sinal "da falta de ética e de verdade" do Executivo e dos patrões, nem a redução dos salários.
Lusa/AO online
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