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Timor-Leste: Responsáveis pela morte dos "cinco de Balibó" irão a julgamento - jornalista Jill Jollife
Internacional | 2010-03-20 13:52
“Talvez eu seja uma excepção, mas acredito que as pessoas eventualmente irão a julgamento”, confiou à agência Lusa.
O optimismo está relacionado com o novo inquérito na Austrália, um “resultado do filme” que tem como personagem principal Roger East, outro jornalista que entrou em Timor para descobrir o que se tinha passado com os colegas e acabou ele próprio morto.
A investigação, a cargo da Polícia Federal, assumiu a recomendação do ‘coroner’ [juiz de instrução] num inquérito anterior para serem acusados dois antigos oficiais indonésios, Yusuf Yosfiah, atualmente deputado em Jacarta, e Christoforus da Silva.
“A maioria das pessoas em contacto com o novo inquérito têm ficado agradavelmente surpreendidas pela qualidade”, enfatiza Jill Jolliffe.
Se as provas forem suficientes serão emitidos pedidos de extradição, mas a jornalista australiana sabe que, apesar dos “pequenos sinais” encorajadores do presidente indonésio Bambang Yudhoyono, o processo será “espinhoso”.
Jill Jolliffe, que segue há 34 anos a história dos chamados "Cinco de Balibó" (Brian Peters, Greg Shackleton, Gary Cunningham, Malcolm Rennie e Tony Stewart), testemunhou as primeiras incursões militares indonésias em território timorense, em setembro de 1975.
A jornalista noticiou a morte dos cinco colegas em outubro e foi resgatada de Díli pela Cruz Vermelha Internacional quatro dias antes de para-quedistas indonésios terem sido lançados sobre a capital a 07 de dezembro de 1975.
O livro que escreveu, "Cover Up - The inside story of the Balibo Five", inspirou a longa metragem realizada por Robert Connolly e protagonizada por Anthony LaPaglia.
Estreada em 2009 na Austrália, foi sucesso de bilheteiras e distinguida com vários prémios.
O filme foi já apresentado nos EUA e Canadá, mas só esta semana chegou à Europa, na quarta feira num festival de cinema da organização Human Rights Watch, e hoje no Festival de Cinema Australiano.
Jolliffe contou à Lusa que o filme foi “muito bem recebido”, mas “o problema é que a história é pouco conhecida”, ao contrário do que acontece na Austrália.
A adaptação para cinema do seu manuscrito implicou “algumas liberdades poéticas”, admite, as quais aceitou.
“Os cineastas precisam de imagens fortes e simples e foi isso que fizeram”, justificou.
Ainda assim elogiou o facto de Timor-Leste ter sido mantido como local de filmagens, “apesar da falta de infraestruturas e dos riscos de saúde”, e o uso de mão-de-obra e figurantes locais.
“Não é a história de seis jornalistas brancos”, sublinha, “é a história do que se passou em Timor”.
O filme já foi projectado em Díli numa versão em tétum [língua local], relatou, e a reação geral foi de emoção e tristeza.
No final, é referido o número de timorenses mortos o que, na opinião da jornalista, mostra que “a verdadeira história é a de quantos timorenses morreram e que é uma história que ainda não foi contada”.
Quanto a José Ramos-Horta, que aparece retratado no filme como um activo líder da resistência, o presidente timorense terá ficado “satisfeito”.
“Primeiro insistiu que o Antonio Banderas devia ser a única pessoa a representar o seu papel”, gracejou, “mas acabou por aceitar Oscar Isaac”.
lusa
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