Cerveja Especial pode ter mercado no continente
Regional | 2009-02-13 10:09
Alberto da Ponte, administrador da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, veio a Ponta Delgada para firmar um negócio com a Melo Abreu para o engarrafamento da Sagres na Região. Considera que a Especial pode ter mercado a explorar no continente.
Que negócio veio realizar com a Melo Abreu?
Viemos aqui firmar um projecto de cooperação que passa pelo enchimento da cerveja Sagres nas instalações da Melo Abreu, aproveitando a capacidade da empresa e reduzindo o impacto ambiental - como é vontade expressa pelo Governo Regional - através da introdução das garrafas “one way”, ou seja, que não são retornáveis. A cerveja Sagres será produzida em Vialonga e virá em contentores para a Melo Abreu, onde será engarrafada.
Estamos a falar de que volume de cerveja?
Isto será feito de uma maneira gradual, mas estamos a falar de 12 milhões de litros por ano, que é aproximadamente o que a Sagres vende em toda a Região.
Qual é a quota de mercado da Sagres nos Açores?
À volta de 60 por cento. O mercado açoriano vale cerca de 18 milhões de litros. Na nossa opinião, temos cerca de 12 milhões, dos quais quase um milhão é em barril. A Melo Abreu, com a marca Especial, tem mais de 2 milhões, da qual grande parte é de barril. As boas relações que sempre existiram entre as empresas e a atitude do Governo Regional em defesa do ambiente facilitaram as condições para este acordo.
No passado, a Melo Abreu fez tentativas de negociar com a concorrente Central de Cervejas. O que garante que desta vez o negócio irá concretizar-se?
Acho que a melhor garantia é o passo que demos hoje: o acordo está assinado. Falta apenas chegar os retornáveis e o líquido. Portanto, espero que no fim de Março ou início de Abril tenha oportunidade de vir aqui a São Miguel, novamente, para beber a primeira garrafa de Sagres cheia na Melo Abreu.
Nestas coisas dos negócios há sempre que ganhar qualquer coisa. Para além dos ganhos ambientais, qual é o retorno financeiro para a Central de Cervejas?
Como é óbvio, transportar retornáveis para o arquipélago dos Açores é extremamente oneroso. Épreferível transportar cerveja em contentores para depois encher aqui.
Em Portugal, como está o negócio da cerveja?
Do ponto de vista competitivo é um negócio muito renhido. Neste momento as marcas Sagres e Super Bock equivalem-se, o que não acontecia há 4 ou 5 anos no mercado de Portugal continental, em que a Sagres tinha menos 11 pontos. O que me preocupa é que, desde Setembro, começou a decrescer. Esta quebra pode ter a ver com a crise, já que as pessoas estão a sair menos para os cafés e restaurantes. Penso que em 2009 esta tendência de abrandamento vai continuar para este tipo de mercado, enquanto que as vendas nas grandes superfícies vão aumentar porque as pessoas consomem o mesmo, mas em casa.
Prevê uma redução de custos, que normalmente está associada ao corte de pessoal, nas cervejeiras?
Não vou contratar pessoal em 2009, mas também não tenciono reduzir postos de trabalho. Para fazer isso é preciso manter uma escala. E se essa escala faltar no mercado nacional, vou ter de a ir buscar ao mercado internacional, ou algum tipo de inovação que leve o consumidor a beber mais cerveja em detrimento de outra bebida, ou que beba mais água, que também comercializamos.
Nota-se algum “frenesim” no lançamento de produtos novos na área da cerveja...
É um frenesim excessivo, no entanto pode ser necessário porque as inovações têm efeito muito positivo sobre a marca original. Nós temos dois grandes sucessos: a Sagres Boémia e a Sagres Zero. Acho que vai haver crescimento das cervejas sem álcool em Portugal, à semelhança do que tem acontecido noutros países mediterrânicos. Este crescimento não tem sido tão grande nos países nórdicos porque existem diferentes problemas com o álcool nesses países. Em Portugal existem dois tipos de problemas: o abuso do álcool relacionado com a condução automóvel, e o consumo antes da idade permitida.
Que está outra vez em discussão...
O Instituto da Droga e Toxicodependência furou as negociações com os industriais e surge com uma lei completamente absurda: o aumento de 16 para 18 anos como idade para beber álcool e a redução da taxa de alcoolemia no sangue nos condutores com carta provisória, que não serve para nada. O problema deve ser atacado por via da educação, em casa das pessoas.
Não resisto à pergunta: qual é a sua marca de cerveja preferida?
Sagres. E desde ontem em segundo lugar a Especial. Acho que é uma cerveja muito bem feita.
Tem mercado no continente?
Pode ter.
Pode chegar ao continente?
Nós selámos o nosso namoro. Vamos ver se o casamento, que é uma relação mais profunda, pode existir. E pode dar filhos.
Viemos aqui firmar um projecto de cooperação que passa pelo enchimento da cerveja Sagres nas instalações da Melo Abreu, aproveitando a capacidade da empresa e reduzindo o impacto ambiental - como é vontade expressa pelo Governo Regional - através da introdução das garrafas “one way”, ou seja, que não são retornáveis. A cerveja Sagres será produzida em Vialonga e virá em contentores para a Melo Abreu, onde será engarrafada.
Estamos a falar de que volume de cerveja?
Isto será feito de uma maneira gradual, mas estamos a falar de 12 milhões de litros por ano, que é aproximadamente o que a Sagres vende em toda a Região.
Qual é a quota de mercado da Sagres nos Açores?
À volta de 60 por cento. O mercado açoriano vale cerca de 18 milhões de litros. Na nossa opinião, temos cerca de 12 milhões, dos quais quase um milhão é em barril. A Melo Abreu, com a marca Especial, tem mais de 2 milhões, da qual grande parte é de barril. As boas relações que sempre existiram entre as empresas e a atitude do Governo Regional em defesa do ambiente facilitaram as condições para este acordo.
No passado, a Melo Abreu fez tentativas de negociar com a concorrente Central de Cervejas. O que garante que desta vez o negócio irá concretizar-se?
Acho que a melhor garantia é o passo que demos hoje: o acordo está assinado. Falta apenas chegar os retornáveis e o líquido. Portanto, espero que no fim de Março ou início de Abril tenha oportunidade de vir aqui a São Miguel, novamente, para beber a primeira garrafa de Sagres cheia na Melo Abreu.
Nestas coisas dos negócios há sempre que ganhar qualquer coisa. Para além dos ganhos ambientais, qual é o retorno financeiro para a Central de Cervejas?
Como é óbvio, transportar retornáveis para o arquipélago dos Açores é extremamente oneroso. Épreferível transportar cerveja em contentores para depois encher aqui.
Em Portugal, como está o negócio da cerveja?
Do ponto de vista competitivo é um negócio muito renhido. Neste momento as marcas Sagres e Super Bock equivalem-se, o que não acontecia há 4 ou 5 anos no mercado de Portugal continental, em que a Sagres tinha menos 11 pontos. O que me preocupa é que, desde Setembro, começou a decrescer. Esta quebra pode ter a ver com a crise, já que as pessoas estão a sair menos para os cafés e restaurantes. Penso que em 2009 esta tendência de abrandamento vai continuar para este tipo de mercado, enquanto que as vendas nas grandes superfícies vão aumentar porque as pessoas consomem o mesmo, mas em casa.
Prevê uma redução de custos, que normalmente está associada ao corte de pessoal, nas cervejeiras?
Não vou contratar pessoal em 2009, mas também não tenciono reduzir postos de trabalho. Para fazer isso é preciso manter uma escala. E se essa escala faltar no mercado nacional, vou ter de a ir buscar ao mercado internacional, ou algum tipo de inovação que leve o consumidor a beber mais cerveja em detrimento de outra bebida, ou que beba mais água, que também comercializamos.
Nota-se algum “frenesim” no lançamento de produtos novos na área da cerveja...
É um frenesim excessivo, no entanto pode ser necessário porque as inovações têm efeito muito positivo sobre a marca original. Nós temos dois grandes sucessos: a Sagres Boémia e a Sagres Zero. Acho que vai haver crescimento das cervejas sem álcool em Portugal, à semelhança do que tem acontecido noutros países mediterrânicos. Este crescimento não tem sido tão grande nos países nórdicos porque existem diferentes problemas com o álcool nesses países. Em Portugal existem dois tipos de problemas: o abuso do álcool relacionado com a condução automóvel, e o consumo antes da idade permitida.
Que está outra vez em discussão...
O Instituto da Droga e Toxicodependência furou as negociações com os industriais e surge com uma lei completamente absurda: o aumento de 16 para 18 anos como idade para beber álcool e a redução da taxa de alcoolemia no sangue nos condutores com carta provisória, que não serve para nada. O problema deve ser atacado por via da educação, em casa das pessoas.
Não resisto à pergunta: qual é a sua marca de cerveja preferida?
Sagres. E desde ontem em segundo lugar a Especial. Acho que é uma cerveja muito bem feita.
Tem mercado no continente?
Pode ter.
Pode chegar ao continente?
Nós selámos o nosso namoro. Vamos ver se o casamento, que é uma relação mais profunda, pode existir. E pode dar filhos.
Paulo Simões/João Cordeiro
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