Melo Abreu vai engarrafar Sagres
Regional | 2009-02-11 20:49
A cooperação agora prevista diz respeito apenas ao enchimento de garrafas, de tara retornável, com cerveja produzida na fábrica continental de Vialonga, mas pode não ficar por aqui.
Em causa pode estar o interesse de ambas as partes para que a cerveja possa ser produzida, também, nos Açores pela Melo Abreu.
Este acordo, agora firmado, vai permitir “ganhos ambientais”, reduzindo o impacto que resulta da entrada de garrafas ow (descartáveis) vindas do continente e representa, também, a “ocupação de uma capacidade que está aberta na Melo Abreu para produzir a cerveja Sagres”, adiantou, durante a conferência de imprensa o responsável pela Central de Cervejas Alberto Ponte sem , no entanto, adiantar mais detalhes sobre o assunto. Nomeadamente, a data e as condições para uma eventual produção de cerveja Sagres na região.
“Isso representaria anunciar um casamento e nós neste momento ainda estamos só em fase de namoro” acrescentou Alberto ponte.
Do lado da Melo Abreu, este acordo vai permitir “o aproveitamento de uma capacidade disponível” e representará “uma mais valia” financeira para a empresa cujas dificuldades têm sido sistematicamente noticiadas.
O acordo de cooperação assinado em Ponta Delgada vai começar a efectivar-se já em Abril, com o enchimento das primeiras garrafas.
Estima-se que até ao final do ano, a fábrica açoriana encha o correspondente a 3 milhões de litros, mas o objectivo de ambas as partes é chegar ao enchimento de 12 milhões de litros de cerveja por ano, o correspondente à quota de mercado que a Central dispõe nos Açores e que é de 60%.
Esta cooperação “em nada afectará” a manutenção da individualidade jurídica e económica de ambas as empresas, que “continuarão a concorrer, garantindo-se a diversidade e opção do consumidor pelo melhor preço e melhor produto”, garantiu o sócio gerente da Melo Abreu, José Carlos Dâmaso.
Este não é o primeiro acordo de cooperação que a Melo Abreu estabelece com uma grande cervejeira nacional. Há dois anos efectivou um acordo com a Unicer que acabaria por ser denunciado. Na altura, a Melo Abreu anunciou a transferência da sua fábrica para fora do centrod e Ponta Delgada, tendo-se avançado a possibilidade de vir a ocupar novas instalações no Azores Park.
Dâmaso adianta que a questão “agora não se coloca”, até por questões que têm a ver com a actual conjuntura.
“Neste momento não está prevista a transferência da nossa fábrica para quaisquer outras instalações”, garantiu o empresário que negou igualmente que este acordo agora firmado com a Central de cervejas seja mais um balão de oxigénio nas finanças da Melo Abreu.
“Não é um balão de oxigénio porque o balão dá a ideia que vai vazar; é mais um barril de cinquenta litros de metal que vai encher”, acrescenta.
Quanto ao valor deste acordo, nenhuma das partes quis avançar números.
“É um negócio entre duas empresas em que uma aproveita os activos da outra”, diz Alberto Ponte. Dâmaso diz que é “uma parceria importante” mas não avança números. Prefere dizer que é uma parceria que vai permitir que, “nos Açores, pelo menos uma fábrica não vai fechar e vai continuar a garantir o emprego oito dezenas de famílias”.
Quer a Melo Abreu quer a central de Cervejas têm uma longa história de parcerias, disponibilizando nos Açores vários produtos que vão desde a cerveja aos refrigerantes diversos.
Carmo Rodeia
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