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Critérios da ERC não se coadunam com realidade das ilhas

Regional | 2008-05-13 22:30

O director da RTP Açores contestou os critérios utilizados pela Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) na avaliação do pluralismo político-partidário naquela estação de televisão, lembrando que a expressão dos partidos nas ilhas é muito diferente do continente.
Pedro Bicudo, director do centro regional da RTP e RDP Açores, foi hoje ouvido na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura a propósito do Relatório da ERC sobre pluralismo político partidário, apresentado no final de Março, que revelava uma presença do Governo Regional e do PS Açores no serviço público na ordem dos 69,32 por cento.

    Segundo este responsável, o método seguido é "frágil" e - embora admitindo que os números da ERC servem de referência - considera que não são indicadores de base do trabalho jornalístico.

    "As notícias fazem-se em função de critérios jornalísticos. A realidade dos Açores é diferente do resto do país. A própria composição do parlamento é distinta de uma realidade tida em conta pela ERC", disse Pedro Bicudo, sublinhando ter uma postura de "total descomprometimento com a política partidária".

    Nesta matéria, o deputado socialista Ricardo Rodrigues concordou com Pedro Bicudo, afirmando que "os critérios e padrões usados pela ERC não têm a mínima razoabilidade", porque a realidade dos Açores é "completamente diferente", como o é a expressão partidária.

    "São realidades distintas e contesto esse critério dos 50 por cento para um lado e para o outro. Está mal quando se faz esse tipo de critérios para avaliar se um canal público de televisão está de acordo com a democracia", disse.

    Reconhecendo também a dificuldade de extrapolar para os Açores o que se passa no continente, o deputado do CDS Pedro Mota Soares sublinhou, no entanto, que não se pode "deitar fora" os resultados da ERC, que alertam para "problemas fundamentais".

    "Setenta por cento das notícias têm como actores principais o Governo da região autónoma ou o Partido Socialista, 20 por cento mais do que seria o padrão médio, deixando os restantes 30 por cento distribuídos pela oposição", afirmou, questionando Pedro Bicudo sobre se pondera alterar as prioridades informativas.

    O director da RTP Açores reafirmou os critérios de jornalismo e de informação na definição dos conteúdos, argumentando que há maior interesse em noticiar matérias que tenham consequências futuras para as regiões.

    "Isto é que é cumprimento do serviço público e não noticiar em função de quem gerou a notícia", disse.

    Confrontado pelo deputado José Moura Soeiro, do Bloco de Esquerda, com a "ausência de debate político contraditório" e o défice de expressão dos partidos que não o PS e o PSD, Pedro Bicudo reconheceu existir essa "bipolarização", que é "propiciada" pelos acontecimentos nas ilhas.

    Contudo, afirmou ter-se reunido com elementos do BE nos Açores que lhe fizeram um "desafio interessante" e no qual se afirma disposto a trabalhar, porque reconhece a "necessidade de inclusividade e de pluralismo": a criação de "um programa que dê voz aos que não têm voz parlamentar".

Lusa / AO online

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