Açoriano Oriental
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Director da RTP-Açores

Director da RTP-Açores

Pedro Bicudo
2010-05-28
EUGÉNIO
Tendo em conta a existência de várias rádios locais nos Açores e pelo menos uma com o perfil jovem, não será um mau serviço público e concorrencial com os privados a Antena 3 a transmitir nos Açores com emissão local? Vai a Antena 3 apoiar a divulgação de festas em bares com DJ, concertos musicais e outras iniciativas similares, que até ao momento recorriam à publicidade nas rádios privadas para a sua promoção?

A Antena 3 é uma mais valia para os Açorianos. É a resposta às inúmeras e repetidas solicitações, sobretudo de jovens, de instituições ligadas à juventude e de grupos musicais que pretendiam ter acesso aos conteúdos da Antena 3. Há sede de modernidade nos Açores, de acesso à diversidade, de podermos beneficiar de conteúdos alternativos de qualidade, onde a criatividade açoriana possa também ser expressa. Ora, a Antena 3 vem dar um contributo à satisfação desta procura.
A Antena 3 vai ser parte do processo cultural criativo nos Açores. Vamos, progressivamente, estar presentes em directo nos grandes Festivais de Música dos Açores. Queremos ser a Rádio dos Festivais, uma rádio jovem e de proximidade. E, nesta linha, vamos estar presentes em alguns grandes eventos da noite jovem. Mas não como promotores publicitários.
A rádio pública tem por alvo e destino o cidadão. A rádio comercial visa o consumidor. São diferentes naturezas no processo comunicacional e há um espaço próprio para cada rádio. A concorrência de conteúdos é saudável e beneficia o público. A concorrência comercial não é o nosso objectivo.
É sabido que a rádio pública funciona num quadro legislativo bem definido de ausência de publicidade. Não há qualquer objectivo de criar um serviço comercial concorrencial, mas sim de dar aos Açorianos acesso a um produto que qualquer cidadão pode aceder, em qualquer ponto do país. O acesso à rádio pública é um direito de todos os cidadãos portugueses. Porque razão deviam os Açorianos ser privados deste serviço público?
De realçar que a Antena 3 estava disponível em todo país, incluindo a Madeira, com excepção dos Açores. A chegada da Antena 3 é uma conquista dos Açorianos.

 
NUNO
Eu como muitos dos espectadores açorianos pergunto para quando diversificar os programas na nossa RTP-Açores e colocar mais programas com passatempos ou cómicos.


Tem havido um esforço grande em responder aos objectivos de serviço público e de diversificar o mais possível a nossa grelha perante as limitações de orçamento. Mesmo assim tivemos ONZE novos programas na presente grelha, caso dos programas:

   1. Acores.Rtp.Pt (Multimédia)
   2. Manchetes (Informação-Jornais)
   3. Prova das Nove (Informação-Debate)
   4. Grande Entrevista (Informação-Entrevista)
   5. Check In (Produção, Jovens)
   6. Segurando a Parede(cartoon)
   7. Máquinas (Desporto-Rallies)
   8. Tudo sobre Rodas (Desportos motorizados)
   9. Um Minuto de Economia (Economia)
  10. Corredor (Audiovisual Experimental)
  11. Programa do Emanuel(Produção-Entretenimento)

Para além destes, desenvolvemos o novo conceito de Especial Desporto, em que para além das reportagens na Informação-Desporto, fizemos grandes blocos de Informação com comentários de especialistas. É o caso dos “Especial Vela”, “Especial BTT urbano”, “Especial Surf”, todos programas de novo formato com diversificação dos desportos.
Para além dos referidos, toda a Informação na RTP Açores passou a ter uma nova dinâmica de apresentação com o novo estúdio que entrou ao activo em final do ano passado.
Quanto aos programas de humor, finalizada a série dos “Fala quem Sabe”, iniciámos a série diária do cartoon “Aguentando a Parede” e, neste momento, estamos já a trabalhar no regresso da Tia Maria do Nordeste e de outro jovem talento.

 
PAULO
Se a RTP Açores não tem autonomia e está com tantas dificuldades, porque é que abandonou a política de cooperação com as poucas empresas de media que existem na região?


Não é correcto dizer-se que a RTP Açores abandonou a política de cooperação com outras empresas produtoras regionais. Pelo contrário, houve sim uma intensificação como provam os programas que, diariamente, aparecem em grelha. Firmas como a IRIS, Promoverde, Amuleto, Atlântida TV, que faziam trabalho de produção independente para a RTP mantêm e alargaram o seu espectro de colaboração. Mas outras novas vieram. Nomeadamente a Media 9, a ERO, a Corredor, a Azores Events, que estão em antena com programas novos e estão já a produzir para a nova grelha pós-Verão.
 
NUNO
Qual a razão de a nossa RTP-Açores não estar na TV Cabo? Há alguma explicação para isto?


A RTP está na TV Cabo. Creio que a sua pergunta se refere à distribuição fora dos Açores. É, de facto, anseio antigo da RTP Açores ser distribuída por TV Cabo fora dos Açores, nomeadamente nas grandes concentrações de açorianos em Lisboa, Porto, Coimbra e Algarve. Mas o mesmo se pretende em relação a todas as grandes comunidades dos EUA, Canadá e Bermuda. Ora, inicialmente pretendeu-se que esta distribuição no exterior fosse de toda a programação, tal qual era emitida nos Açores. Isso levantava a dificuldade dos custos acrescidos com direitos de autor (sobretudo de séries, filmes e documentários), para além do custo de levar o sinal dos Açores até Lisboa.
Visando ultrapassar estas limitações, adaptámos o modelo de grelha exclusivamente à produção de conteúdos próprios da RTP Açores. Assim, eliminámos os custos acrescidos com direitos de autor. Ao mesmo tempo, iniciámos um processo negocial com uma das maiores distribuidoras de cabo nacionais, visando a distribuição dum bloco de seis horas diárias de programação própria dos Açores. O processo negocial está a avançar e contamos, dentro em breve, iniciar a distribuição da RTP Açores fora da Região.
Sobre isso, gostaria ainda de acrescentar que, desde há dois anos, conseguimos introduzir na RTPN um bloco diário de informação regional no Notícias do Atlântico. Foi o “romper do casulo” para o exterior, que considero essencial na afirmação da RTP Açores.
Finalmente, porque desde há alguns anos a RTP Internacional emite o noticiário dos Açores na América do Norte, devo dizer que esta é a maior audiência do nosso Telejornal. Como tal, faz todo o sentido amadurecer esta distribuição com distribuição própria nas redes de cabo da América do Norte.
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