Açoriano Oriental
nome da pers

Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada responde às questões dos nossos leitores

Mário Fortuna
2010-03-05
Nuno
Boa tarde, é com muito agrado que vejo que a nova presidência da câmara do comércio. Agora gostava de saber o que vão fazer para o reavivar, já como que todos vêm está muito mas muito mau? Que medidas vão tomar para chamar a população a vir a baixa?


O comércio não está muito bem como não estão outros sectores da nossa economia. Em situação má estão também o turismo e a agricultura. O mau estádio da economia acaba por contaminar todos.
Também não é só o comércio tradicional da baixa de Ponta Delgada que sofre. Todo o comércio está a evidenciar um momento difícil.
Mas vamos à questão da baixa. À baixa tradicional foi, há já algum tempo, imposta a concorrência dos centros comerciais e hipermercados privados em geral (Parque Atlântico, Centro Comercial Sol Mar e Hiper Sol Mar). Mais recentemente, o sector público, com o complexo das Portas do Mar veio trazer nova concorrência, particularmente na restauração e entretenimento.
O comércio da baixa, constituído por muitos comerciantes isolados tem de fazer face à oferta destes novos espaços geridos por uma só entidade que coordena a oferta de produtos e serviços para melhorar a conveniência dos clientes. Por isso são tão procurados.
A forma de reagir a este fenómeno é reproduzir o mesmo efeito na baixa, associando os comerciantes em projectos comuns de animação e melhoria da oferta.
Não havendo um “dono” da infra-estrutura onde funciona o comércio tem de haver um coordenador que pode ser uma associação ou então uma autoridade.
No passado já se fez alguma coisa quando existia o PROCOM e o URBCOM.
Numa associação entre a Câmara do Comércio e a Câmara Municipal, foi feita uma intervenção de melhoramento do centro de Ponta Delgada, contando com a participação dos comerciantes. Está, no nosso entender, na altura de voltar a fazer isso.
O mecanismo de apoio para este efeito é agora o SIDER que, no entanto, não é minimamente interessante e motivador das partes. Está morto, neste momento, o mecanismo de apoio ao urbanismo comercial.
A CCIPD já apresentou proposta para se alterar este mecanismo, o único, no nosso entender capaz de motivar uma nova intervenção na baixa.
À parte esta mudança estrutural, a CCIPD tem continuado as acções de divulgação dentro dos limites do orçamento que tem e dos apoios que recebe.
Temos naturalmente mantido contactos com a autarquia para que continuem a ser feitas melhorias no espaço da baixa e para que continue a campanha de Natal que é muito grande.
Precisamos urgentemente de uma nova intervenção de fundo na baixa mas para isso era indispensável a legislação que, à semelhança do URBCOM, suportasse a intervenção.
A proposta está feita ao Governo.



Cátia
Apesar do cenário pouco risonho que se avizinha para Portugal e, consequentemente, para os Açores, ao nível do turismo de natureza baseado no desenvolvimento sustentável, quais pensa serem as soluções para travar este panorama? Quais as estratégias que tanto o Governo como as diversas instituições devem (in)vestir?


Vamos ter sempre de competir com outros destinos de turismo de natureza. Para isso temos de ser bons e temos de ser acessíveis. Se não tivermos os dois atributos podemos e estamos a perder muito.
Já defendemos que, neste momento, se deve rever o modelo de transporte aéreo que nos garante passagens a cerca de €330 quando destinos comparáveis estão abaixo dos €100.
É preciso mudar o modelo de transportes actuais, conforme já propusemos.
Sem isto ficamos a ver a banda passar.
É URGENTE, no nosso entender, que o governo reveja o modelo de transportes.



Carlos
O Governo Regional anunciou recentemente o lançamento de concurso para a construção do novo Centro de Saúde de Ponta Delgada na zona da Grotinha. Em nome da defesa do comércio tradicional do centro da cidade, não deveria a Câmara do Comércio alertar o Governo para dar prioridade a colocar os seus serviços nos diversos imóveis devolutos no centro da cidade em lugar de optar por localizações fora deste? Seria uma medida importante para evitar a desertificação do centro histórico de Ponta Delgada e com isso apoiar verdadeiramente o dito comércio tradicional.


Todas as infra-estruturas que se localizarem no centro vão ajudar por concentrarem pessoas, desde que a acessibilidade seja boa. Não podemos, no entanto, prejudicar o bom funcionamento de cada serviço. Não conheço em detalhe as características do Centro de Saúde mas presumo que tenha algumas exigências específicas. Já agora, nova escola da UGT, a APROSEC, será localizada nos Arrifes porque só aí havia espaço suficiente para uma escola como mandam os regulamentos.
Focaria a minha atenção nos atributos que a cidade tem de ter para competir com os novos centros comerciais. É por estes atributos que as pessoas vão lá.
Conforme já tive oportunidade de responder acima, um programa de urbanismo comercial a sério poderia ajudar muito.



João
Acha que se está a fazer tudo o que deve ser feito para ultrapassar a crise?


Não, não está, na nossa óptica a ser tudo feito. Temos apresentado muitas propostas ao governo que não estão a ser postas em prática. Não porque haja discordância com o que propomos mas porque tem sido entendido que o momento de fazer acertos não é agora mas sim mais tarde.
Não compreendemos!
Exemplos: Antecipação de concursos públicos; alteração de regras de concursos; alteração do modelo de transportes; alteração do SIDER.
Às vezes parece que só os empresários percepcionam que há crise.



Edna
Caros Senhores Acho interessante perguntar ao actual presidente da CCIPD, qual a sua opinião sobre a construção do novo centro comercial na Calheta? Não será criar um problema para os já instalados comerciantes "tradicionais"? Não haverá problemas excesso de trânsito? Não fazia mais sentido ser um projecto para a periferia? Qual a sua opinião quanto à desorganizada construção em PDL? Como vê o facto de algumas grandes empresas pagarem 800€ a licenciados contratados? Não se estão aproveitar alguns empresários do contexto socioeconómico para tratar despedir ou desvalorizar os colaboradores, promovendo o desequilibro social?


Ponta Delgada não precisava, no momento actual, de mais um centro comercial. Muito menos mais um que resultasse de requisitos de um concurso público mal concebido (neste caso o do jogo, com toda as peculiaridades que teve). A evolução, no entanto, é inevitável, ao ritmo da sustentabilidade de longo prazo e não ao ritmo do fomento desajustado.
O aparecimento de mais um centro quando os outros espaços lutam pela sobrevivência virá tornara a situação mais precária para alguém.
A abertura deste centro trará, naturalmente, mais tráfego para a Calheta. Para alguns será uma coisa boa, para outros nem tanto. Se bem gerido o tráfego adicional não será um problema.
Quanto a fazer o centro na periferia, acho que as forças de mercado é que devem determinar se é ou não necessário fazê-lo. Mais um centro comercial não é uma obrigação. Aquele surge ali só porque o concessionário do concurso do casino apresentou uma proposta que lhe seria vantajosa. As autoridades aprovaram.
Quanto à desorganização da construção em Ponta Delgada, será verdade em alguns casos havendo outros que são bem conseguidos.
Passando à questão final do que pagam as empresas grandes aos licenciados. Não acredito que os empresários se estejam a aproveitar da situação. Os empresários têm de manter a sustentabilidade das suas empresas sob pena de criarem mais problemas sociais. As empresas grandes não estão dispensadas de serem racionais. É importante que sejam e que dêem bons exemplos.
Quanto ao valor que se paga a um licenciado à entrada, o mercado é, normalmente, quem o determina. As interferências públicas também condicionam os preços. Presumo que este valor deve estar relacionado com o que recebem os estagiários do programa Estagiar L.
Importante é que as pessoas agarrem as oportunidades de emprego, se empenhem e provem que valem mais do que o salário de entrada.
É assim nos países que progridem.



Nuno
Boa tarde, gostava de perguntar se acha que o nosso comércio tradicional está de boa saúde?
Eu acho que não, a baixa continua deserta e o parque atlântico cheio, Porquê? É fácil responder a isto basta olhar para as lojas que a nossa baixa tem. Porque não chamar as lojas ancora para a nossa baixa, porquê não cativar mais as pessoas a virem para a baixa com acções de campanha. Já que estacionamento e boas pessoas para trabalhar já vimos que temos, agora qualidade de lojas isso é que não. A cidade é constituída por bancos e bancos que as 15.30 fecham ou seja mais de metade da cidade fecha. Façam mais pelo nosso comércio e incentivem as grandes marcas a vir para a nossa baixa, mais animação no nosso comércio é bem preciso, mais trabalho de rua e menos de secretaria.


Dos reflexos que me chegam, também acho que o comércio tradicional não está a passar por um bom momento. Como já referi, outros sectores também estão a sofrer.
O Parque Atlântico também não está no céu, veja-se o número de lojas que tem fechado.
Mas, mesmo assim, deve perguntar-se porque é que aquele centro concentra tanta gente. Certamente que é porque num espaço limitado e coberto concentra uma multiplicidade de serviços: supermercado; comércio de roupas e calçado; cinemas; bancos; farmácia; lavagem de automóveis; restaurantes; cafés. Tudo coordenado quanto a horas de abertura e encerramento: abrem todos e fecham todos ao mesmo tempo.
Era importante que a baixa, sem ser igual, reproduzisse alguns destes elementos que atraem as pessoas.
Já propusemos uma alteração ao que prevê o SIDER para promover soluções desta natureza para o centro da cidade. Aguardamos que o governo as faça.
As medidas que propomos ajudariam na atracção de lojas âncora.
« voltar
Acerca do Jornal - Termos de uso e condições - Estatuto Editorial - Publicidade - Classificados AO - Assinaturas AO - Contactos - Ficha Técnica
Desenvolvimento: Globaleda