Açoriano Oriental
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Presidente do Conselho de Administração da EDA

Presidente do Conselho de Administração da EDA

Roberto Amaral
2010-02-02
Ventura
O preço da electricidade nos Açores não devia ser baixo, atendendo ao grande investimento na geotermia?


Desde que, em 1998, por iniciativa do Governo Regional dos Açores, se iniciou o processo de convergência tarifária com o Continente, o preço de venda da energia eléctrica nos Açores passou a ser subsidiado através de um mecanismo de compensação da responsabilidade da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
Esta compensação tarifária atribuída à EDA, destina-se a suportar os sobrecustos de produção que resultam de os Açores serem um arquipélago constituído por nove ilhas, o mesmo será dizer por nove sistemas eléctricos totalmente independentes e dispersos, com custos de produção mais elevados e diferentes de ilha para ilha.
O processo de convergência tarifária está já totalmente conseguido e o preço que cada açoriano paga pela energia que consome é o mesmo em todo o território nacional e em todas ilhas da nossa Região. Se esse mecanismo de compensação não existisse, o preço médio de venda teria de ser, no corrente ano de 2010, superior em 68,4% ao que nós hoje, efectivamente, pagamos.
Sendo este valor ainda tão expressivo, por maiores que fossem os nossos investimentos em geotermia (geotermia que, recorde-se, é um investimento de risco elevado e com custos significativos, quer na fase inicial de construção, quer depois, na manutenção do campo e dos poços geotérmicos), nunca conseguiríamos baixar o preço de venda de forma a compensar aquela diferença.
Acresce que, neste momento, a geotermia apenas existe em exploração em S. Miguel e está em fase de investimento na Terceira, ilhas que têm já diagramas de cargas e volumes de consumo de electricidade que justificam e viabilizam este tipo de produção. O plano de investimentos a médio prazo que temos em curso contempla um projecto de pesquisa e identificação de novos campos geotérmicos em outras ilhas dos Açores, nomeadamente as ilhas do Faial e Pico, que entrarão em exploração logo que tal seja técnica e economicamente viável.
         


Amélia
Numa altura em que a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel parece estar interessada na instalação de uma incineradora nesta ilha, com o eventual apoio do Governo dos Açores, com que interesse vê, enquanto Presidente do Conselho de Administração da EDA, a possível valorização energética - de potência instalada próxima dos 10MW - no plano das necessidades no contexto da produção energética da ilha?


A diversificação das fontes de energia primária é, em princípio, positiva mas tem que ser equacionada face à competitividade das diferentes opções que se colocam, de forma a minimizar efeitos negativos e desperdícios resultantes de eventuais projectos conflituantes.
No que respeita a energias renováveis, o sistema eléctrico de São Miguel, para além da tradicional mas reduzida produção de origem hídrica, tem em exploração duas centrais geotérmicas com uma potência instalada de 23 MW. Estão neste momento a decorrer em S. Miguel vultuosos investimentos de prospecção de novos reservatórios geotérmicos e de novos poços de produção com vista, precisamente, a aumentar a capacidade de produção geotérmica, estando, paralelamente, a decorrer um concurso público internacional para a instalação de um parque eólico com 10 MW de potência. Este conjunto de novos investimentos esgota a capacidade de integração plena de energia renovável nos próximos anos, pelo que a produção de energia eléctrica proveniente de uma instalação de incineração só poderia ser injectada na rede fora das horas de vazio, ou retirando de serviço, nessas horas de vazio, outras centrais com produção renovável, nomeadamente as geotérmicas.
Uma forma de ultrapassar esta dificuldade e evitar investimentos redundantes com os correspondentes desperdícios de energia, será encontrar uma forma de armazenar a energia sobrante dos períodos de vazio para a utilizar nos períodos de cheia e de ponta, por exemplo, com a construção de uma central hídrica reversível. É esta, precisamente, a solução que está a ser estudada como forma de contemplar os vários interesses em jogo e de maximizar a penetração de energias renováveis nos Açores.  



José
Quando terão início e quando terminam as obras de electrificação em Baía das Canas - Prainha - Ilha do Pico?


Para a electrificação da Baia de Canas, foi celebrado um Protocolo com a empresa municipal “Cais Investe”.
O projecto foi concluído no final do ano transacto, tendo a respectiva obra sido já adjudicada em Novembro de 2009. Os materiais necessários à sua construção estão já a chegar à ilha, prevendo-se que os  trabalhos da sua construção fiquem concluídos no final do primeiro semestre do corrente ano.



Moisés
A administração da EDA pretende realizar alguma nova privatização da empresa ou separação da mesma por actividades?


A política de reprivatizações nos Açores é da competência do Governo Regional dos Açores. Nesta matéria, a EDA poderá, quanto muito, ser ouvida ou ser chamada a colaborar no respectivo processo, se for essa a decisão política.
Como é do conhecimento público, a EDA, enquanto empresa mãe do Grupo EDA, centra a sua actividade na produção, transporte, distribuição e comercialização de electricidade na Região Autónoma dos Açores.
A evolução que se tem vindo a verificar no sector da electricidade, muito em particular no contexto da liberalização e da regulação a que a EDA está sujeita desde o ano de 2003, originou crescentes necessidades de informação a ser disponibilizada aos diversos stakeholders da empresa e à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que supervisiona toda a actividade regulada do sector.
Nesse contexto, a EDA procedeu ao desenho e implementação de uma solução de unbundling contabilístico, que lhe permite dar cumprimento às exigências de separação das suas demonstrações financeiras nas diferentes fases em que se divide a sua actividade e, em simultâneo, obter informação relevante e actual para a tomada atempada de decisões de gestão.
A solução de unbundling contabilístico adoptada pela EDA identifica três grandes áreas de negócio a saber:
- Aquisição de Energia Eléctrica e Gestão de Sistema – área de negócio orientada para a produção de energia eléctrica própria e adquirida a terceiros, bem como a construção, operação e manutenção das infra-estruturas da produção própria;
- Distribuição de Energia Eléctrica – área de negócio orientada para a construção, operação e manutenção da infra-estrutura de transporte e distribuição em Alta, Média e Baixa Tensão;
- Comercialização de Energia Eléctrica – área de negócio orientada para a venda de energia eléctrica e serviços conexos.
Estas áreas de negócio, agregam, ordenadamente, toda a cadeia de produção da EDA, constituindo-se os Serviços responsáveis por esta última área de negócio como os consumidores dos recursos de todo o processo (os custos) e, igualmente, os geradores do respectivo retorno (os proveitos), desta forma se garantindo que o somatório dos custos e proveitos afectos a cada uma destas diferentes áreas de negócio corresponde à totalidade da actividade desenvolvida pela empresa.
Esta é, na sua essência, a base de todo o quadro regulatório a que a actividade da EDA se encontra sujeita.



Maria
De que consta o Plano de aproveitamento de energias renováveis?


O Grupo EDA tem previsto, para os próximos cinco anos, um extenso plano de novos empreendimentos para aproveitamento de energias renováveis, com um investimento total de cerca de 125 milhões de Euros e que, no actual estado de desenvolvimento das tecnologias conhecidas, maximiza a penetração de produção renovável nos pequenos e isolados sistemas eléctricos dos Açores.
Este plano de investimentos irá ser desenvolvido pelas empresa do Grupo EDA que se especializaram e que se dedicam, exclusivamente, à produção de electricidade a partir de fontes renováveis, a saber:
- SOGEO, na produção de electricidade de origem geotérmica;
-GEOTERCEIRA, na produção de electricidade de origem geotérmica apenas na ilha Terceira e, neste momento, ainda em fase de investimento;
- EEG, na produção de electricidade de origem hídrica e eólica;

Muito sumariamente, o plano de investimento em energias renováveis que iremos executar até 2014, distribui-se pelas diferentes ilhas da nossa Região da seguinte forma:
 
- Na Ilha de Santa Maria, está prevista a ampliação do actual parque eólico com a instalação de dois novos aerogeradores de potência unitária igual a 330 kW. A concretização deste investimento, prevista para o ano de 2011, irá permitir um acréscimo de produção anual na ordem dos 1,7 GWh.

- Na Ilha de S. Miguel, e no que respeita a investimentos em geotermia, proceder-se-á à saturação da potência instalada na actual Central Geotérmica da Ribeira Grande, através da execução de mais um poço geotérmico, o que permitirá elevar a actual potência disponível em cerca de mais 3 MW. Estima-se que, com a conclusão deste investimento, previsto para o final docorrente ano, se obtenha um incremento da produção média anual de cerca de 20 GWh.
Encontra-se ainda em fase de estudo a possibilidade de ampliação da Central Geotérmica do Pico Vermelho e a construção de um novo centro produtor na zona das Caldeiras da Ribeira Grande. Ambos os investimentos apresentam ainda algumas incertezas associadas, em particular, á longevidade e potencialidades dos respectivos reservatórios geotérmicos. Assim, estão a ser estudadas, em alternativa, duas opções de investimento:
a) A ampliação da Central Geotérmica do Pico Vermelho, que aumentará a sua potência em cerca de 10 MW, perfazendo um total de 20 MW de potência instalada, prevendo-se que venha a ter um acréscimo da produção média anual de energia eléctrica de cerca de 80 GWh;
b) Construção de uma nova Central Geotérmica na zona das Caldeiras da Ribeira Grande, com uma potência instalada de 12 MW. Se for esta a solução escolhida, estima-se que, tenha uma produção média anual de cerca de 100 GWh.
Ao nível da energia eólica, está prevista já para o final do próximo ano de 2011 a entrada em serviço do Parque Eólico nos Graminhais. Esta infra-estrutura, numa primeira fase, será dotada de 10 aerogeradores com 900 kW de potência unitária. Estima-se, assim, uma produção média anual de energia eléctrica de cerca de 22,5 GWh. Este empreendimento também está já em curso, estando neste momento a decorrer a fase de selecção dos concorrentes ao concurso público internacional que foi lançado no final do ano passado.  
- Na Ilha Terceira, ao nível da produção geotérmica, está prevista a construção de uma Central com uma potência da ordem dos 12 MW, para a qual se espera, uma vez concluída, uma produção média anual da ordem dos 89 GWh. Foram já realizados, até ao momento, cinco poços de prospecção e de produção, cujos resultados, porém, ficaram aquém das expectativas que tínhamos, o que vai obrigar a novos trabalhos de avaliação e de prospecção antes de se avançar para a fase de construção da central geotérmica.
Em ordem a colmatar atrasos na concretização deste empreendimento, estamos já a trabalhar numa alteração a este plano que consiste em avançar, de imediato, para a ampliação do Parque Eólico da Serra do Cume com mais 4,5 MW, assim duplicando a actual produção.
- Na Ilha Graciosa, está prevista a instalação de dois novos aerogeradores de potência unitária igual a 330 kW, bem como a desmontagem dos dois aerogeradores em fim de vida útil de potência unitária igual a 100 kW. Em resultado destas acções, previstas concluir em 2011, o Parque Eólico da Serra Branca passará a contar com uma potência total instalada de 1.260 kW, mais 58% do que a actual. O acréscimo de produção eólica anual, estimado, é de 1,5 GWh.
- Na Ilha de São Jorge, está prevista a instalação de três novos aerogeradores de 330 kW de potência unitária e a desclassificação de outros cinco em fim de vida útil, de 100kW cada. Está, também, prevista a construção de uma central hídrica na Fajã de São João, que utilizará o potencial hídrico da Ribeira do Salto e que será dotada de um gerador de potência unitária igual a 979 kW. Com a entrada em serviço desta infra-estrutura, prevista para o ano de 2011, prevê-se uma produção anual na ordem dos 3 GWh, em ano hídrico médio.
- Na Ilha do Pico, está prevista a ampliação do actual parque eólico com a instalação de dois novos aerogeradores de 330 kW. Com a concretização desta ampliação, prevista também para o ano de 2011, o Parque Eólico Terras do Canto passará a ter uma potência total instalada de 2.460 kW, mais 37% do que a actual. Os dois novos aerogeradores irão permitir um acréscimo da produção anual de cerca de 2 GWh.
- Na Ilha do Faial, está prevista a construção de um novo parque eólico. Esta nova infra-estrutura deverá contar com três aerogeradores de potência unitária igual a 330 kW. Com a entrada em serviço desta infra-estrutura, prevista para o ano de 2011, a Ilha do Faial passará a contar com uma potência eólica total instalada de 2.790 kW, mais 55% do que actualmente. O novo parque eólico terá uma produção anual estimada próxima dos 3 GWh.
- Na Ilha das Flores, estão previstos dois investimentos em aproveitamentos hidroeléctricos. O primeiro será a construção de uma nova central hídrica com a potência de 1.100kW na Ribeira Grande e o outro corresponderá à remodelação, ampliação e automatização da actual Central Hidroeléctrica de Além Fazenda. Estes dois empreendimentos permitirão aumentar a produção hídrica da ilha em mais cerca de 10 GWh, o que fará com que a ilha das Flores venha a ter 87% da produção de electricidade assente em energias renováveis.
A concretização deste plano de investimentos permitirá aumentar o peso das energias renováveis nos Açores dos actuais cerca de 26% para cerca de 50% e evitar a emissão de mais cerca de 170 mil toneladas de CO2 por ano, a partir de 2014.


Luís
Que investimentos estão previstos realizar em São Miguel nos próximos anos?


Nos próximos cinco anos, a EDA irá investir em S. Miguel uma média de 12 milhões de euros por ano. Estes investimentos serão, fundamentalmente, orientados para projectos nas redes de transporte e distribuição de energia eléctrica e na construção e remodelação de subestações, uma vez que os investimentos na produção de energia estarão centrados no aproveitamento de energias renováveis, a serem levados a cabo pelas empresas SOGEO e EEG, ambas do Grupo EDA.
Dos investimentos a executar pela EDA, destacam-se, pela sua importância, os seguintes:
- Construção da linha AT 60 kV, Lagoa – Trinta Reis – Ponta Garça – Graminhais e construção da nova Subestação da Lagoa do Congro 60/30 kV, investimentos que possibilitarão introduzir na rede a energia eléctrica que irá ser produzida pelo Parque Eólico dos Graminhais, cujo investimento, da responsabilidade da EEG, também já está em curso;
- Reformulação da Subestação de Ponta Delgada e remodelação do sistema de protecção, comando e controlo da Subestação de Vila Franca do Campo;
- Remodelação da rede MT 10 kV da cidade de Ponta Delgada, conclusão da remodelação da linha 10/30 kV do Cabouco, remodelação da rede MT 30 kV da Relva e da rede subterrânea MT 10 kV da Ribeira Grande, bem como a diversas outras obras de ampliação de redes MT;
- Ao nível da Baixa Tensão, continuarão a ser desenvolvidos projectos de investimentos em remodelações de redes, aqui se destacando a remodelação da rede de Ponta Delgada e a ampliação de diversas redes rurais com o consequente reforço do número de novos postos de transformação.
Estes investimentos reduzirão, ainda mais, as perdas no transporte e distribuição de energia eléctrica e serão um forte contributo para a melhoria da qualidade do serviço prestado pela EDA.

 

Duarte
Que montante desembolsou a EDA nos últimos anos para o pagamento de juros devido aos sucessivos atrasos na transferência de verbas da República, no âmbito do processo de convergência do tarifário eléctrico?


O contrato que foi assinado entre a EDA e o Governo da República, em 2003, para o pagamento, em dez anos, das indemnizações compensatórias não pagas relativas ao processo de convergência tarifária do período 1998/2002, prevê o pagamento de juros por eventuais atrasos de pagamento de qualquer das prestações previstas, sendo estes calculados a uma determinada taxa do mercado e durante o tempo efectivo do atraso de pagamento.

O montante que a EDA recebeu do Governo da República, em 23/Dez/2009, para além do pagamento das prestações de capital em dívida, incluiu, também, os respectivos juros compensatórios, que foram praticamente equivalentes aos suportados pela EDA durante o tempo do incumprimento contratual.
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