Bispo de Angra e Ilhas dos Açores
D. António Sousa Braga responde às perguntas dos leitores do AO online
D. António Sousa Braga
2009-07-02
Luís
Quais são os principais problemas existentes na Diocese de Angra e Ilhas dos Açores? E de que modo estão a ser resolvidos?
A Diocese de Angra, como todas as Igrejas e Religiões no Mundo Ocidental, têm o grande desafio de fazer chegar às novas gerações a mensagem evangélica. Como propor e transmitir o que não muda, num mundo em mudança. Só mudando. Não o Evangelho, que é o mesmo de sempre. Mas a maneira de o testemunhar e anunciar. É preciso mudar a linguagem e a actuação pastoral. E, sobretudo, converter-se às exigências evangélicas. Os homens e as mulheres de hoje escutam mais as testemunhas do que os mestres; e, se escutam os mestres é porque são testemunhas.
Sara
Tendo em conta a falta de vocações masculinas, que se verifica nos dias de hoje, qual a sua opinião sobre a possível ordenação de mulheres?
Acho que não resolve o problema. A diminuição de vocações na Igreja deve-se à falta de formação cristã. Não é uma questão de género. Por outro lado, a hierarquia não pode alterar uma tradição, que vem desde as origens da Igreja. Qual foi a vontade e intenção de Jesus? Ele não ordenou mulheres. E poderia tê-lo feito, pois nas origens da Igreja não faltaram mulheres à altura de tal missão, que colaboraram proficuamente com as comunidades cristãs, a outro nível.
Fernando
As touradas estão muitas vezes associadas a festas de carácter religioso. Gostaria de saber qual é a postura da Igreja, no nosso caso representada pelo Sr. Bispo António de Sousa Braga, em relação à tortura dos animais envolvidos nos eventos tauromáquicos?
O que nós temos no Evangelho de Jesus é mandamento do amor do próximo: querer bem aos outros, como queremos bem a nós mesmos. Quanto à criação e aos outros seres vivos, está tudo ao serviço do ser humano, de forma racional e razoável. Mesmo que os animais não tenham o mesmo tipo de autoconsciência do ser humano, devem ser respeitados na sua integridade e, consequentemente, não devem ser objecto de sofrimentos gratuitos e inúteis.
Sandro
Por que razão não se muda a actual denominação da Diocese, para Diocese dos Açores?
Normalmente, as Dioceses tomam o nome da cidade, onde têm a sede. Em Portugal, só há a excepção da Diocese do Algarve. Deveria ser Diocese de Faro. Para não criar problemas com Silves, anterior sede, adoptou-se o nome da Região. Nos Açores, poder-se-ia propor essa alteração, mas não é aconselhável, para não acirrar os bairrismos.
José
Excelentíssimo Sr. D. António, acha que os Açores têm necessidade de mais uma Diocese?
Acho que não. A questão poderia ter sentido, há uns anos atrás, quando havia mais população e as comunicações e transportes eram mais difíceis. Hoje, a população é diminuta e são mais fáceis a comunicação e a circulação entre as Ilhas. Não se justifica, pois, mais uma Diocese. São Miguel até poderia ficar bem. Mas o resto das Ilhas ficaria pior.
José
Para quando da vossa parte uma observação atempada e cuidada aos erros consecutivos que alguns sacerdotes continuam a cometer nas comunidades?
No primeiro momento e normalmente, eu não posso intervir directamente, porque não estou no “terreno”. Os Ouvidores e as Equipas Sacerdotais de Ouvidoria fazem a primeira triagem das situações problemáticas. Só os casos mais graves é que chegam a mim. As soluções, por vezes, levam tempo, porque tenho de me inteirar dos dados objectivos das situações. Não me posso deixar levar pelas primeiras reclamações, que nem sempre têm razão de ser. Por outro lado, não podemos esquecer que “errare humanum est”. Os sacerdotes, como pessoas humanas que são, também podem errar. Temos que ser benevolentes para com todos: também para com os sacerdotes.
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Quais são os principais problemas existentes na Diocese de Angra e Ilhas dos Açores? E de que modo estão a ser resolvidos?
A Diocese de Angra, como todas as Igrejas e Religiões no Mundo Ocidental, têm o grande desafio de fazer chegar às novas gerações a mensagem evangélica. Como propor e transmitir o que não muda, num mundo em mudança. Só mudando. Não o Evangelho, que é o mesmo de sempre. Mas a maneira de o testemunhar e anunciar. É preciso mudar a linguagem e a actuação pastoral. E, sobretudo, converter-se às exigências evangélicas. Os homens e as mulheres de hoje escutam mais as testemunhas do que os mestres; e, se escutam os mestres é porque são testemunhas.
Sara
Tendo em conta a falta de vocações masculinas, que se verifica nos dias de hoje, qual a sua opinião sobre a possível ordenação de mulheres?
Acho que não resolve o problema. A diminuição de vocações na Igreja deve-se à falta de formação cristã. Não é uma questão de género. Por outro lado, a hierarquia não pode alterar uma tradição, que vem desde as origens da Igreja. Qual foi a vontade e intenção de Jesus? Ele não ordenou mulheres. E poderia tê-lo feito, pois nas origens da Igreja não faltaram mulheres à altura de tal missão, que colaboraram proficuamente com as comunidades cristãs, a outro nível.
Fernando
As touradas estão muitas vezes associadas a festas de carácter religioso. Gostaria de saber qual é a postura da Igreja, no nosso caso representada pelo Sr. Bispo António de Sousa Braga, em relação à tortura dos animais envolvidos nos eventos tauromáquicos?
O que nós temos no Evangelho de Jesus é mandamento do amor do próximo: querer bem aos outros, como queremos bem a nós mesmos. Quanto à criação e aos outros seres vivos, está tudo ao serviço do ser humano, de forma racional e razoável. Mesmo que os animais não tenham o mesmo tipo de autoconsciência do ser humano, devem ser respeitados na sua integridade e, consequentemente, não devem ser objecto de sofrimentos gratuitos e inúteis.
Sandro
Por que razão não se muda a actual denominação da Diocese, para Diocese dos Açores?
Normalmente, as Dioceses tomam o nome da cidade, onde têm a sede. Em Portugal, só há a excepção da Diocese do Algarve. Deveria ser Diocese de Faro. Para não criar problemas com Silves, anterior sede, adoptou-se o nome da Região. Nos Açores, poder-se-ia propor essa alteração, mas não é aconselhável, para não acirrar os bairrismos.
José
Excelentíssimo Sr. D. António, acha que os Açores têm necessidade de mais uma Diocese?
Acho que não. A questão poderia ter sentido, há uns anos atrás, quando havia mais população e as comunicações e transportes eram mais difíceis. Hoje, a população é diminuta e são mais fáceis a comunicação e a circulação entre as Ilhas. Não se justifica, pois, mais uma Diocese. São Miguel até poderia ficar bem. Mas o resto das Ilhas ficaria pior.
José
Para quando da vossa parte uma observação atempada e cuidada aos erros consecutivos que alguns sacerdotes continuam a cometer nas comunidades?
No primeiro momento e normalmente, eu não posso intervir directamente, porque não estou no “terreno”. Os Ouvidores e as Equipas Sacerdotais de Ouvidoria fazem a primeira triagem das situações problemáticas. Só os casos mais graves é que chegam a mim. As soluções, por vezes, levam tempo, porque tenho de me inteirar dos dados objectivos das situações. Não me posso deixar levar pelas primeiras reclamações, que nem sempre têm razão de ser. Por outro lado, não podemos esquecer que “errare humanum est”. Os sacerdotes, como pessoas humanas que são, também podem errar. Temos que ser benevolentes para com todos: também para com os sacerdotes.







