Zeinal Bava diz aos investidores que "falta ambição" à proposta da Telefónica

Zeinal Bava diz aos investidores que "falta ambição" à proposta da Telefónica

 

Lusa/AO Online   Economia   8 de Jun de 2010, 18:38

O presidente da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, considera que, segundo o consenso do mercado, as sinergias anunciadas pela Telefónica com a compra da posição portuguesa na Vivo são pouco ambiciosas.

"Considerando o consenso do mercado, as sinergias anunciadas são pouco ambiciosas", criticou o gestor, que está em Londres a apresentar a estratégia da empresa a investidores internacionais, de acordo com o seu discurso de esta tarde numa conferência organizada pelo Bank of America Merril Lynch.

A apresentação de Zeinal Bava foi disponibilizada pela empresa no portal da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), com o presidente a recuperar sete negócios realizados entre empresas de telecomunicações entre 2005 e 2009 para chegar à conclusão que "face às anteriores transações, falta ambição às sinergias anunciadas".

A Telefónica revelou que, caso os acionistas da PT aceitem a proposta que a operadora espanhola apresentou para comprar a posição detida pelos portugueses na Vivo, da operação resultarão sinergias de 2,8 milhões de euros.

Porém, Zeinal Bava frisou aos investidores que, em termos percentuais, a combinação das sinergias operacionais com os gastos de capital e as despesas operacionais resultantes do negócio se limitam a 23 por cento, o valor mais baixo entre os negócios semelhantes apresentados.

Na operação de consolidação entre a Orange Switzerland e a Sunrise, a mais recente da lista (novembro de 2009), o resultado ascendeu a 151 por cento e, nos negócios realizados no ano passado pelas brasileiras TIM Brasil e Intelig e pela Oi e Brasil Telecom, a equação resultou em percentagens de 25 por cento e 40 por cento, respetivamente.

Daí, o presidente da PT reforçou que "as operações anteriores sugerem sinergias superiores" às anunciadas pela Telefónica.

E Zeinal Bava avançou mesmo com um quadro que ilustra que, face às sinergias calculadas pela Telefónica, o preço oferecido pelos espanhóis pela fatia portuguesa da Brasilcel (detida em partes iguais pela PT e pela Telefónica) é de 4,4 mil milhões de euros.

Contudo, caso as sinergias resultantes da operação subam para cinco mil milhões de euros, o preço oferecido pela Telefónica cai para 2,75 mil milhões de euros.

O responsável foi mais longe e apontou para quatro pontos que criam o valor estratégico do controlo da Vivo para a Telefónica: "O mercado brasileiro oferece um forte potencial de crescimento; a Vivo é a operadora móvel líder do mercado e tem um valor potencial da crescente migração da rede fixa para a móvel, e da penetração da banda larga".

Além dos primeiros dois pontos, Zeinal Bava frisou também que "considerando o consenso do mercado, falta ambição às sinergias anunciadas" e que "excluíndo as sinergias, os múltiplos associados à aquisição são baixos".

A PT convocou uma assembleia geral de acionistas para dia 30 de junho para decidir sobre a proposta da Telefónica de compra da sua participação na brasileira Vivo, no valor de 6,5 mil milhões de euros.

A operadora portuguesa e a Telefónica detêm em 50 por cento cada uma a holding Brasilcel, que controla 60 por cento da operadora móvel brasileira Vivo.


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