Vítimas do ataque ao supermercado sepultadas em Jerusalém


 

Lusa/AO Online   Internacional   11 de Jan de 2015, 10:59

As quatro vítimas judias do atentado contra o supermercado parisiense na sexta-feira serão sepultadas na terça-feira no emblemático cemitério do Monte das Oliveiras, em Jerusalém.

Os corpos de Yoram Cohen, Philippe Barham, Yoav hatab e Fracois Michel Saada (mortos no atentado ao supermercado de produtos judaicos) serão transladados para Israel num avião da companhia nacional El Al e sepultados durante uma cerimónia oficial, noticiou hoje o diário “Yediot Aharonot”.

A decisão de transportar os quatro, apesar de nenhum ter nacionalidade israelita, foi adotada pelo ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, que fez a oferta às famílias através dos organismos oficiais da comunidade judaica francesa.

Os familiares dos falecidos deslocar-se-ão ao país para assistir aos funerais, que se celebram sob medidas de segurança extremas, devido à possível participação de elementos do governo de Israel.

O cemitério do Monte das Oliveiras é o santuário judeu mais antigo do mundo ainda em utilização e encontra-se em Jerusalém Este, situado em frente ao Monte do Templo para os judeus e as Mesquitas para os muçulmanos.

Para qualquer seguidor daquela fé, ser enterrado ali é um privilégio pela proximidade ao lugar onde há 2000 anos se ergueu o templo de Jerusalém.

Devido ao limitado espaço para as sepulturas, apenas são enterradas naquele cemitério pessoas com dinheiro e reconhecido estatuto social.

No sábado, a família de Ahmed Merabet, um dos polícias mortos no atentado de quarta-feira contra o Charlie Hebdo, veio publicamente apelar a que não se confundam extremistas com muçulmanos.

“Paremos de fazer misturas, de declarar guerras, de queimar mesquitas ou sinagogas”, disse em conferência de imprensa o irmão de Ahmed, o polícia de 41 anos, de origem argelina e muçulmano.

“Falo para todos os racistas, islamófobos e antissemitas: não misturem os extremistas e os muçulmanos”, acrescentou, dizendo ainda que atacar os outros não trará de volta os mortos.

Desde quarta-feira, registaram-se três incidentes violentos na capital francesa, incluindo um sequestro, que, no total, fizeram 20 mortos, incluindo os três autores dos atentados, e começaram com o ataque ao Charlie Hebdo.

Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, foram mortos na sexta-feira na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, nos arredores da cidade, onde se barricaram.

Na quinta-feira, foi morta uma agente da polícia municipal, a sul de Paris, tendo a polícia estabelecido “uma conexão” entre os dois ‘jihadistas’ suspeitos do atentado ao Charlie Hebdo e o presumível assassino.

Na sexta-feira, ao fim da manhã, cinco pessoas foram mortas num supermercado 'kosher' (judaico) do leste de Paris, numa tomada de reféns, incluindo o autor do sequestro, que foi igualmente morto durante a operação policial.

Para hoje está agendada uma manifestação em Paris em que participará grande número de líderes políticos europeus, entre eles o presidente francês, François Hollande, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho



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