Visão africana da moda adaptada a conceitos europeus encerra ModaLisboa

Visão africana da moda adaptada a conceitos europeus encerra ModaLisboa

 

Lusa / AO online   Economia   13 de Mar de 2010, 12:13

Uma visão africana da moda adaptada aos conceitos europeus marca no domingo o encerramento da 34.ª edição da ModaLisboa através da apresentação das propostas da dupla angolana Shunnoz & Tekasala para o outono/inverno de 2010/11.

"Como peregrinos das Europas temos vivido experiências muito fortes e daí chegámos a este projeto de fazer o afro-ocidental. Adaptamos as tendências de tecidos usados pelo mundo europeu com uma nova roupagem, tendo em conta a nossa visão africana", disse em entrevista à Lusa o designer de moda Shunnoz.

A marca Mental arrancou no mercado angolano, como explicou Tekasala, "com o objetivo primário de usar a arte da moda para participar na revolução comportamental que Angola vivia depois do término da guerra civil".

"O segundo objetivo era tirar a marca Mental de Angola e levá-la para o mundo e isso é que nos trouxe a Lisboa", disse.

A presença na ModaLisboa é, para a dupla, de "suma importância", porque significa um intercâmbio entre Angola e Portugal.

"Sendo nós os primeiros a peregrinar neste domínio é um ponto de unificação, um ponto de ligação muito forte que poderá ser o despertar de uma amizade em termos profissionais de um compromisso muito sério", referiu Shunnoz.

Tekasala lembrou que o intercâmbio cultural entre os dois países já existe, mas que com a moda é diferente e que podem ser eles a alterar o cenário existente.

"Os designers de moda vão para Angola mostrar os trabalhos há um bom tempo. No outro sentido não havia tráfico e acho que este talvez seja o princípio do inverso", afirmou.

Shunnoz assume que não é fácil definir uma moda angolana, porque para falar de moda é necessário referir todo um sistema composto por indústria, designers, engenheiros têxteis, e isso Angola não tem.

"Temos indústrias adormecidas, que provavelmente a era colonial deixou, mas como não se fomentou, aquilo está adormecido até hoje", disse.

O desfile das propostas da Mental marca, às 21:30 de domingo, o encerramento da ModaLisboa, "uma honra" para a dupla angolana.

"O melhor da vida está no fim. Toda a espécie de relacionamento humano, em todos os aspetos, o princípio é sempre uma euforia é o explodir, o rebentar o brotar, mas o fim é o resultado de todo um princípio", defendeu Shunnoz.

Serem os últimos representa, nas palavras do designer, "a justiça vestuária".

"A dança das nossas roupas representa musicalidade da nossa intenção e acima de tudo a poesia dos dizeres que cada peça de roupa poderá transmitir às pessoas. Esperamos que a sociedade portuguesa possa enfim consumir o nosso produto", disse Shunnoz.

Para o próximo outono/inverno, Shunnoz e Tekasala apostam numa colecção "multi-colorida que tem como tema tecido-adaptação" e junta na mesma passerelle peças feitas a partir de materiais pouco usuais em moda, como cobertores e cortinados, e tecidos mais convencionais como lãs, algodões e cetins.

A certeza que temos é que vamos trazer aqui uma coisa que é nova, que Portugal talvez nunca tenha visto porque veio de fora. E este é um grande privilégio para nós, podermos mostrar o que é nosso", concluiu Tekasala.

A 34.ª edição da ModaLisboa, a primeira depois de cinco em Cascais, iniciou-se quinta feira e termina no domingo. Os desfiles decorrem no Páteo da Galé (Terreiro do Paço) e no Museu do Design e da Moda.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.