Viola da terra dos Açores atrai mais jovens e há uma nova geração de fabricantes

Viola da terra dos Açores atrai mais jovens e há uma nova geração de fabricantes

 

Lusa/AO Online   Regional   3 de Ago de 2016, 12:20

A aprendizagem da viola da terra, instrumento musical típico dos Açores, está a atrair cada vez mais pessoas e levou ao surgimento de uma nova geração de fabricantes no arquipélago, afirmou hoje o músico Rafael Carvalho.

“Há um grande interesse, cada vez maior, sobre a viola da terra, mas também porque as pessoas têm tratado a viola de forma diferente e têm conseguido garantir um espetáculo musical mais diversificado, dando mais dinamismo a este instrumento”, afirmou o presidente da Associação de Juventude Viola da Terra, Rafael Carvalho, em declarações à Lusa.

Segundo o músico, “com o ressurgimento do interesse na execução do instrumento” também apareceu “uma nova geração de construtores”, nas ilhas de São Miguel, Terceira, São Jorge, Graciosa, Faial e Flores.

"Havia apenas um construtor ou dois em São Miguel e nos Açores se calhar três ou quatro. A realidade é que, com este ressurgimento, há em várias ilhas dos Açores construtores", disse, explicando que uma viola da terra pode custar entre os 350 a 1.000 euros.

A viola da terra possui cinco parcelas de 12 cordas, sendo afinada num tom mais baixo em São Miguel e Santa Maria relativamente às restantes ilhas dos Açores.

O instrumento é também conhecido como viola de arame ou viola de dois corações, sendo semelhante ao violão, mas de dimensões mais pequenas.

De acordo com Rafael Carvalho, também professor no Conservatório de Ponta Delgada, a última década “foi determinante” para o “ressurgimento da viola da terra, que concorreu com outros instrumentos como o violão, a guitarra portuguesa e o piano”.

O presidente da Associação de Juventude Viola da Terra referiu ainda que há mais pessoas interessadas em ouvir o instrumento e uma grande procura dos jovens pela aprendizagem.

"Há, neste momento, uma procura de alunos que é maior do que a oferta existente nas várias escolas de viola da terra na ilha de São Miguel", sustentou, defendendo a necessidade de mais formadores.

Segundo o responsável, a viola tem estado presente nos mais diversos eventos, destacando-se também o interesse dos turistas pelas particularidades deste instrumento.

Rafael Carvalho salientou que várias entidades, entre elas a associação a que preside, se têm dedicado nos últimos anos a um “intenso trabalho” de valorização deste instrumento tradicional.

"A viola da terra conseguiu um lugar cativo no panorama musical, mas não foi fácil", considerou Rafael Carvalho.

No passado, o instrumento fazia parte do dote do noivo e o seu lugar na casa durante o dia era em cima de uma colcha axadrezada, como adorno do quarto do casal, assumindo, desde o povoamento do arquipélago, um lugar de destaque nos festejos, bailes, cantorias e serões.

A Associação de Juventude tem uma orquestra de violas da terra com cerca de 40 tocadores, entre os 8 e os 70 anos, da ilha de São Miguel, realizando anualmente um estágio de dois dias a que se segue um concerto final.

 


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