Vila do Corvo vai ser museu

Vila do Corvo vai ser museu

 

AO/Lusa   Regional   9 de Ago de 2014, 10:47

O Governo dos Açores vai avançar em setembro com a transformação de Vila do Corvo num ecomuseu, que visa recuperar o centro histórico da mais pequena ilha do arquipélago, promovê-la como destino turístico e valorizar a identidade corvina.


O centro histórico de Vila do Corvo, onde reside toda a população da ilha (pouco mais de 400 pessoas), foi classificado como “conjunto de interesse público” em 1997.

No entanto, “tal classificação não tem, até aqui, produzido relevantes benefícios” na “qualidade de vida da população” e no próprio património edificado, sendo “evidentes os sinais de degradação física e de abandono dos imóveis”, reconhece a Secretaria Regional da Educação e Ciência, no projeto do museu, recentemente enviado ao parlamento dos Açores, em resposta a um requerimento do deputado do PPM, Paulo Estêvão.

“A concretização do Ecomuseu do Corvo constitui assim o impulso necessário para a reversão da atual situação de degradação física do núcleo urbano antigo”, lê-se no documento, que esclarece que a classificação permite o acesso a um programa de cofinanciamento das reabilitações em 50 a 75%, a fundo perdido.

O desenvolvimento do projeto passa pela instalação na ilha, de forma permanente, de um Gabinete de Apoio Técnico que será responsável pelos projetos de reabilitação dos imóveis (sem custo para os proprietários), assim como pela inventariação do património e a criação de uma rede de pontos de interesse cultural.

Será ainda formada “mão-de-obra local especializada”, de forma a garantir também no tempo “a sustentabilidade das intervenções de reabilitação”, e será criada uma “rede integrada” de equipamentos culturais, numa “lógica de dinamização sociocultural”.

O museu será proprietário de apenas um edifício, que foi cedido para esse efeito, em 2012, por Paulo Estêvão, e que funcionará como base do desenvolvimento do projeto.

Os restantes “polos, recursos e complexos de valor patrimonial” serão propriedade dos particulares, integrados nos seus próprios imóveis, de forma a permitir aos visitantes “aceder à realidade da vivência corvina”.

Dada a classificação do Corvo como reserva da biosfera pelas Nações Unidas, em 2007, o projeto define a Direção Regional do Ambiente como “parceira fundamental”.

O objetivo é desenvolver o projeto nos próximos anos, aproveitando os fundos europeus do quadro comunitário 2014-2020, estando prevista uma primeira avaliação de resultados em 2019.

“Pese embora a diminuta dimensão territorial e populacional” do Corvo (17,13 quilómetros quadrados), a ilha possui “uma importante carga histórica e um inestimável património natural e cultural”, sublinha a Secretaria Regional da Educação e Cultura, destacando que tem um “enquadramento favorável” ao desenvolvimento de um projeto baseado no conceito de ecomuseu.

Um ecomuseu (ou museu de território ou ainda museu comunitário) “centra-se no reconhecimento e afirmação da identidade de um lugar” e, “contrariando o conceito de museu tradicional”, não se limita a uma coleção ou edifício, sendo antes “um espaço aberto e em aberto”, que tem a comunidade como ator e o património global como acervo e onde o visitante “se converte em ativo participante e habitante”, esclarece a secretaria regional.

O projeto do Corvo surge na sequência de uma resolução do PPM aprovada no ano passado pelo parlamento açoriano que pedia a instalação de um museu na ilha.

Em declarações à Lusa, Paulo Estêvão, que vive no Corvo, congratulou-se com o resultado, que considerou “muito ambicioso”.

Reconhecendo que “tudo dependerá” do envolvimento da comunidade, realçou, no entanto, que os corvinos “estão muito entusiasmados” e que a forma como foi pensada a operacionalização do projeto dá alguma garantia para que seja um êxito.

Nas ilhas mais pequenas dos Açores, o desenvolvimento de projetos deste tipo “acabam por falhar” porque dependem de “visitas sazonais” das equipas que os coordenam e vai-se perdendo “a dinâmica”, considerou, destacando que não é o que está previsto neste caso.


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