Verba da UE para crise migratória é positiva, mas não responde às questões de fundo


 

Lusa/AO Online   Economia   10 de Ago de 2015, 18:41

A AMI qualificou como "positiva" a decisão da Comissão Europeia de criar um fundo para enfrentar a crise migratória que atualmente afeta a Europa, alertando, porém, que a medida "não responde às questões de fundo" do fenómeno.

 

“Apesar de a AMI [Assistência Médica Internacional] considerar como positiva a medida hoje anunciada pela Comissão Europeia de criar um fundo de 2,4 mil milhões de euros, esta não responde às questões de fundo que estão na origem das migrações”, referiu a organização num comunicado, defendendo a criação de um ‘Plano Marshall’ (programa de recuperação) para África.

A par da importância de atuar internamente face à atual emergência humanitária, “reforçando a integração e o asilo dos migrantes que chegam aos Estados-Membros da União Europeia”, a organização presidida por Fernando Nobre acredita ser sobretudo necessário “um plano que restaure a esperança das populações africanas” e que possibilite a permanência destas pessoas nos países de origem.

“Um projeto verdadeiramente solidário que possibilite o acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação, emprego, habitação, água, entre outros”, frisou a AMI.

Na mesma nota, a organização destacou a importância da comunidade internacional “aprender com os erros cometidos no Iraque, na Síria, na Líbia e na Ucrânia”, mencionando que estes conflitos “incrementaram significativamente o fluxo migratório” e que, a termo, poderão “provocar o fortalecimento dos partidos xenófobos e colocar em risco a existência das democracias ocidentais".

“É fundamental atuar de forma preventiva nas causas dos movimentos migratórios e não apenas de forma reativa a uma crise humanitária que será, de certeza, a maior tragédia que a Europa terá que enfrentar já nos próximos anos”, concluiu a AMI.

A Comissão Europeia anunciou hoje a aprovação de 23 programas nacionais plurianuais ao abrigo do Fundo para Asilo, Migração e Integração (AMIF) e do Fundo de Segurança Interna (ISF), no valor global de 2,4 mil milhões de euros.

Em comunicado, a Comissão referiu que o financiamento total para os programas abrangerá o período entre 2014 e 2020.

O dinheiro vai agora ser transferido para os Estados-membros da União Europeia, como a Grécia, Itália e outros países, para lidar com a situação do aumento do fluxo migratório para a Europa.

Portugal irá receber destes fundos 38,6 milhões de euros, de acordo com o comunicado.

Em 2014, de acordo com a Agência Europeia para a Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas da UE (Frontex), entraram de forma ilegal na Europa cerca de 280 mil pessoas. Este número, segundo a Frontex, é um recorde absoluto.

Do total das 280 mil, o Mar Mediterrâneo foi a porta de entrada de 220 mil entraram em território europeu.

De acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), já morreram cerca de 2.000 pessoas no Mediterrâneo, este ano, ao tentar chegar à Europa.

O ‘Plano Marshall’ consistiu num programa norte-americano destinado a recuperar as economias dos países do ocidente e sul da Europa após a Segunda Guerra Mundial.

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