Vaticano denuncia atos do Estado Islâmico

Vaticano denuncia atos do Estado Islâmico

 

Lusa/AO online   Internacional   12 de Ago de 2014, 19:19

O Vaticano denunciou a ação dos 'jihadistas' do Estado Islâmico (EI), que "nenhuma causa e, seguramente, nenhuma religião poderá justificar", pedindo aos responsáveis muçulmanos que condenem o EI "sem qualquer ambiguidade".

 

Numa longa declaração, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso enumera as "ações criminosas indizíveis" dos "'jihadistas' do Estado Islâmico", entre as quais "a prática execrável da decapitação, da cruxificação e de pendurar cadáveres em locais públicos", "o rapto de mulheres e raparigas", "a imposição da prática bárbarica da mutilação genital", "o pagamento de um tributo ('jizya')", "a violência abjeta do terrorismo".

Todos estes crimes são "ofensas de extrema gravidade à humanidade e a Deus, que é o seu criador, como o lembrou frequentemente, o papa Francisco", afirma o Ministério do Vaticano para o diálogo com o Islão e as outras religiões.

"A situação dramática dos cristãos, dos yazidis e de outras comunidades religiosas e étnicas, numericamente minoritárias no Iraque, exige uma posição clara e corajosa dos responsáveis religiosos, sobretudo muçulmanos, de pessoas empenhadas no diálogo inter-religioso", declara.

"Todos devem ser unânimes na condenação sem qualquer ambiguidade destes crimes, e denunciar a invocação da religião para os justificar", pede na mesma declaração.

A ausência de condenação levará a uma perda de credibilidade do "diálogo inter-religioso pacientemente mantido nestes últimos anos", indica.

Os responsáveis religiosos são também chamados a exercer a sua influência junto dos governos "para que os autores dos crimes sejam punidos, para que seja restabelecido o Estado de direito em todo o território, e para que as populações expulsas possam regressar a casa".

Os chefes religiosos devem também lembrar aos fiéis "que o financiamento e armamento do terrorismo são moralmente condenáveis", escreve o Conselho, apontando o dedo a quem - Estados ou indivíduos - fornece armas sofisticadas ao EI.

"Ao longo dos séculos, cristãos e muçulmanos puderam viver em conjunto - é verdade que com altos e baixos -, construindo uma cultura de convivência e uma civilização da qual podem estar orgulhosos", acrescenta o Conselho Pontifício, ao lembrar o valor do "diálogo entre cristãos e muçulmanos que continuou e se aprofundou".

O EI quer arrasar, com o seu "califado", este longo diálogo entre as duas religiões.

A restauração do "califado" pelo EI foi condenada pela "maioria das instituições religiosas e políticas muçulmanas", congratula-se o Vaticano, que estabelece uma clara diferença entre uma vasta maioria de muçulmanos tolerantes e uma minoria em pleno desenvolvimento, que recusa qualquer diálogo em nome de uma visão deformada da "sharia" (lei islâmica).

Após meses de confrontos no Iraque e de participação na guerra civil da Síria, o EI passou a controlar uma grande parte de território no leste da Síria e no norte do Iraque.

Nos últimos dias, mais de 200.000 pessoas depois do EI ter tomado Qaradosh, a maior cidade cristã do Iraque, situada entre Mossul e Erbil, e de Sinjar, bastião dos yazidis, a oeste de Mossul.

A 29 de junho passado, os 'jihadistas' anunciaram o estabelecimento de um “califado”, referindo-se ao sistema de governo islâmico que desapareceu há quase 100 anos com a queda do Império Otomano.


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