Vasco Cordeiro mais preocupado com descontaminação que com "estados do espírito" de MNE

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Vasco Cordeiro

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O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, disse hoje que o preocupa mais a descontaminação dos solos na Praia da Vitória, na ilha Terceira, do que "os estados de espírito" do ministro de Negócios Estrangeiros.
 

 

“A mim preocupa-me mais a situação concreta da descontaminação de solos na ilha Terceira do que os estados de espírito do senhor ministro dos Negócios Estrangeiros”, afirmou Vasco Cordeiro, na Assembleia Legislativa, na Horta, ilha do Faial, no decurso do debate das propostas de Plano e Orçamento regionais para 2017.

O chefe do executivo açoriano, do PS, respondia ao deputado do PSD César Toste que, após a intervenção da secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, questionou sobre o processo de descontaminação das zonas adjacentes à base das Lajes e repetiu as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Na sequência do anúncio de redução da presença militar norte-americana na base das Lajes, o Governo dos Açores apresentou, em 2015, o Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira, em que reivindicava uma compensação dos Estados Unidos da América (EUA)na ordem dos 167 milhões de euros anuais, durante 15 anos, dos quais 100 milhões se destinavam a “reconversão e limpeza ambiental”.

Recentemente, Augusto Santos Silva disse que essa compensação valia “zero”, tendo depois afirmado que a descontaminação ambiental continuaria em cima da mesa nas negociações com os EUA.

No plenário, Vasco Cordeiro reiterou que “é responsabilidade, em primeiro lugar, dos Estados Unidos limpar o passivo ambiental que deriva da presença de forças militares norte-americanas na ilha Terceira”, explicando que “há estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que tem feito a monitorização”.

Para o chefe do executivo açoriano, “esta assembleia está devidamente informada sobre qual é a evolução que este assunto tem tido”, mas essa evolução “não é satisfatória para o Governo Regional” que “considera ser preciso fazer mais e melhor”.

Vasco Cordeiro reafirmou que “não é responsabilidade do Governo Regional dos Açores, nem é responsabilidade dos açorianos limpar o passivo ambiental deixado pelas forças dos Estados Unidos da América”.

“O Governo da República fará como entender. (…) Nós achamos que é uma responsabilidade dos Estados Unidos, mas isso já é uma relação entre o Estado português e os Estados Unidos da América”, acrescentou, garantindo que este assunto é “a prioridade das prioridades no posicionamento do Governo dos Açores no âmbito das comissões bilaterais”, acrescentou.

Para o líder parlamentar do PSD, Duarte Freitas, se as declarações de Augusto Santos Silva fossem de um governo com outra cor política, Vasco Cordeiro “teria rasgado as vestes e tinha-se criado quase uma revolução nos Açores”.

“O senhor teve uma reação medrosa e sem coragem para enfrentar um membro do Governo do seu partido”, acusou Duarte Freitas, dirigindo-se a Vasco Cordeiro.

O chefe do executivo respondeu que “há uma grande diferença” entre um Governo da República do PS e um Governo da República do PSD.

“Um Governo da República do meu partido, quando um membro do Governo é alertado também pelo Governo Regional dos Açores de que não agiu corretamente, faz aquilo que o ministro dos Negócios Estrangeiros fez. No dia a seguir corrige aquilo que disse. O problema do Governo do seu partido é que não corrige aquilo que diz e insiste numa visão deturpada das autonomias regionais”, contrapôs Vasco Cordeiro.

Duarte Freitas retorquiu que, em matéria de defesa da autonomia, o PSD, maior partido na oposição, não recebe lições de ninguém.