Vasco Cordeiro escreve a congressistas e senadores norte-americanos

Vasco Cordeiro escreve a congressistas e senadores norte-americanos

 

Lusa/AO online   Regional   8 de Set de 2017, 17:47

O presidente do Governo dos Açores disse que vai enviar uma carta a congressistas e senadores norte-americanos a alertar para o impacto que o fim do programa DACA (Deferred Action for Childhood Arrivals) pode ter nas comunidades açorianas.

“Dentro de dias será enviada uma carta, quer para congressistas, quer para senadores, no caso dos congressistas desde logo aqueles que integram o chamado ‘Portuguese Caucus’ na Câmara dos Representantes, e ao nível do Senado os que integram o grupo ‘Friends of Portugal’”, afirmou Vasco Cordeiro, referindo que o objetivo é “sensibilizar congressistas e senadores quanto à necessidade de ter em conta a proteção desses jovens”.

Segundo Vasco Cordeiro, o objetivo da missiva é alertar para o impacto que “esta medida tem não apenas na perspetiva das comunidades emigradas, mas também na perspetiva das comunidades de acolhimento, uma vez que muitos destes jovens são jovens que fazem um percurso também de contribuírem para o desenvolvimento de cada uma dessas comunidades de acolhimento”.

“Esta ação, que não exclui outras medidas que o Governo Regional está a avaliar, é essencial para sinalizar junto dos decisores políticos ao nível do Congresso dos Estados Unidos a importância que atribuímos a esta matéria e aquela que entendemos que é a gravidade deste assunto para, no caso concreto, as comunidades açorianas”, adiantou.

O programa DACA, que foi lançado em 2012 pelo ex-presidente Barack Obama, permite a jovens que foram levados para os EUA em criança de forma ilegal receberem proteção contra deportação, autorização de trabalho e número de segurança social.

O procurador-geral dos Estados Unidos da América, Jeff Sessions, anunciou esta semana fim do programa, que será abandonado de forma gradual e expira a 05 de março de 2018.

Um número indeterminado de jovens portugueses, que pode chegar às várias centenas, está em risco de deportação depois de o presidente americano, Donald Trump, ter decidido terminar com o programa que protege pessoas levadas para os EUA de forma ilegal em crianças.

Os EUA não divulgam o número de beneficiários por país do DACA, mas organizações que prestam apoio a imigrantes portugueses em Rhode Island, Massachusetts, Nova Iorque, Nova Jérsia e Califórnia garantiram à Lusa que foi um programa muito popular nas suas comunidades.

O presidente do executivo regional adiantou que esta é uma decisão da parte do Governo dos Estados Unidos que causa “bastante apreensão e preocupação, pelo impacto que pode ter, desde logo, ao nível das comunidades açorianas emigradas e descendentes dessas comunidades nos EUA”.

Vasco Cordeiro adiantou que o assunto está neste momento colocado a dois níveis, um nos tribunais, “em que há ações sucessivas que são colocadas por parte, inclusive, de procuradores estaduais contra esta decisão”, como é o que acontece “em estados que têm uma maior presença de comunidades açorianas, caso e Massachusetts e Rhode Island”, sendo que nesta área “as possibilidades de ação da parte das autoridades regionais não existem”.

“Mas o assunto foi colocado também ao nível do Congresso e aí, sim, entendemos que é necessária ação já”, referiu, justificando o envio da missiva.

O chefe do executivo açoriano esclareceu que “não se trata de pedir medidas de exceção para os Açores, porque não está neste momento definida qualquer tipo de medida”.

Segundo a Direção Regional das Comunidades dos Açores, que cita dados dos últimos censos norte-americanos, a comunidade portuguesa nos Estados Unidos é de cerca de 1,4 milhões de pessoas, estimando-se que 70% seja de origem açoriana.

Não obstante estar representada em todos os estados daquele país, a comunidade açoriana é mais expressiva na Califórnia, Massachusetts e Rhode Island.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.