Vasco Cordeiro diz que nunca esteve em discussão presença militar de outro país na base das Lajes

Vasco Cordeiro diz que nunca esteve em discussão presença militar de outro país na base das Lajes

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   24 de Abr de 2017, 18:32

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, elogiou o interesse do congressista norte-americano Devin Nunes na questão das Lajes e destacou que não está em discussão, "como nunca esteve, a presença militar de outro país na base"

"(...) Sendo certo que não está em discussão, como nunca esteve, a presença militar de outro país na base das Lajes, mas sim as parcerias de âmbito científico e comercial, se a administração norte-americana valoriza dessa forma as Lajes, só resta dirigir ao governo dos Estados Unidos a recomendação genialmente expressa pela expressão inglesa: 'Put your wallet where your mouth is' ('Fazer mais e falar menos')", afirmou Vasco Cordeiro.

Em entrevista à agência Lusa, Devin Nunes disse hoje que a presença de entidades estrangeiras perto da base das Lajes, na ilha Terceira, é inaceitável, e vincou que a base açoriana "é um dos locais mais estratégicos no mundo".

"Qualquer estrangeiro perto dessa base não é boa ideia. É um local estratégico e não precisamos de ter ninguém por perto", vincou o republicano.

A resposta de Devin Nunes sobre os estrangeiros perto das Lajes surge na sequência de declarações críticas da expansão da China a nível económico em várias partes do mundo, nomeadamente nas ilhas açorianas.

Numa declaração escrita enviada à Lusa, Vasco Cordeiro realça que "o interesse ativo e empenhado de Devin Nunes na questão da base das Lajes tem sido uma constante ao longo dos últimos anos".

Para o chefe do executivo açoriano, Devin Nunes, que Vasco Cordeiro trata como amigo, "tem sido e, por certo, continuará a sê-lo, um dos grandes defensores da importância dos Açores na relação de Portugal com os Estados Unidos da América, interpretando o que considera serem os interesses do seu país".

"Naturalmente que contamos com ele na valorização dessa parceria, sobretudo agora quando novos desafios surgem na relação entre a Europa e a América", salienta Vasco Cordeiro.

O presidente do Governo dos Açores recorda ainda que "já há estrangeiros, não perto da base das Lajes, mas dentro da base das Lajes, há cerca de 60 anos" e "são os norte-americanos", notando que "não é pelo facto de serem estrangeiros que deixam de ser bem acolhidos com a hospitalidade e simpatia que caracterizam o povo açoriano nas suas relações com seja lá quem for que venha por bem".

A 12 de outubro último, o primeiro-ministro português admitiu em Macau que a base aérea das Lajes pode ser usada pela China se os Estados Unidos não renovarem o acordo de exclusividade, mas apenas para fins científicos e não militares.

"Temos um acordo com os Estados Unidos, e queremos continuar com esse acordo, mas respeitamos a decisão" dos norte-americanos, disse António Costa numa entrevista difundida pela agência de informação financeira Bloomberg.

No mesmo dia, o presidente do Governo dos Açores afirmou que uma eventual parceria com a China sobre a base das Lajes, que não no plano militar, pode ser aprofundada, destacando a relação histórica com os Estados Unidos da América.

"Sendo de interesse mútuo, julgo que nada obsta a que nesses planos, que não o plano militar, ela possa ser analisada, aprofundada, debatida", adiantou na ocasião Vasco Cordeiro.


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