Vasco Cordeiro diz que faz falta ao país uma "verdadeira pedagogia das autonomias regionais"

Vasco Cordeiro diz que faz falta ao país uma "verdadeira pedagogia das autonomias regionais"

 

Lusa / AO online   Regional   5 de Jun de 2017, 11:33

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, considerou hoje que faz falta ao país "uma verdadeira pedagogia das autonomias regionais" que "combata o preconceito e apazigue a desconfiança".

 

"(...) Há algo que tarda e que julgo fazer falta ao nosso país e à sociedade portuguesa no seu conjunto ao fim de quatro décadas de experiência autonómica, uma verdadeira pedagogia das autonomias regionais", afirmou Vasco Cordeiro na sessão solene comemorativa do Dia da Região, na sede da Assembleia Legislativa, na Horta, ilha do Faial, presidida pelo chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

Para o presidente do executivo açoriano, é necessário "uma pedagogia das autonomias regionais que possa dar a conhecer e explicar as razões históricas que levaram ao seu surgimento, o que significam e que resultados trazem para o país, uma pedagogia que esclareça, que combata o preconceito e apazigue a desconfiança".

"Talvez por aí se cumpra, mais do que por profissões de fé no dogma do Estado unitário, o objetivo que a autonomia tem como seu, e que é o do reforço da unidade nacional e dos laços de solidariedade entre todos os portugueses", assinalou Vasco Cordeiro.

Antes, o chefe do executivo regional realçou que a autonomia "trouxe, em cerca de 40 anos, benefícios concretos e objetivos para os açorianos", mas, "chegados aqui, importa perguntar o que essa autonomia garantirá aos Açores", por exemplo, no espaço temporal da próxima década.

"Não nos podemos dar ao luxo de, aqui chegados, 40 anos depois, considerar que a autonomia se esgotou enquanto meio privilegiado para garantir o progresso, o desenvolvimento económico e social e o bem-estar daqueles a quem se destina", declarou, frisando que autonomia não pode ser confundida "com um mero plano de fomento das nove ilhas" e que há "desafios estruturais, os quais, se ultrapassados, prepararão os Açores para enfrentar as próximas décadas com as condições necessárias de confiança e de esperança renovadas".

Para Vasco Cordeiro, este percurso, contudo, não poderá ser feito apenas pelos açorianos, "muito menos enfrentando obstáculos e constrangimentos por aqueles que, cá ou lá, não compreendem, ou parecem não querer compreender, que o avanço dos Açores é o avanço de Portugal".

"Ou seja, os desafios estruturais que são o caminho para o que seremos no futuro terão, pois, de ser assumidos, também, como um desígnio nacional, não como uma espécie de qualquer cedência, benesse ou favor à Região Autónoma, mas como uma estratégia comprometida, partilhada e assumida também pelo país", observou.

Segundo Vasco Cordeiro, "abundam pretextos" em que essa abordagem pode ser posta em prática, como a situação da base das Lajes, na ilha Terceira, e dos seus efeitos em áreas como o ambiente ou a economia.

Mas também "nas possibilidades que se abrem no âmbito da exploração dos recursos" do mar e a forma como a região pode "intervir, decidir e beneficiar" dele, continuou Vasco Cordeiro, acrescentando também as possibilidades que se abrem "no âmbito da cooperação e relacionamento com entidades externas infra-estaduais, sejam elas províncias, Estados ou organismos de cooperação".



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