Vasco Cordeiro admite ter utilizado a SATA para impulsionar o turismo nos Açores

Vasco Cordeiro admite ter utilizado a SATA para impulsionar o turismo nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   12 de Jan de 2016, 19:00

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, admitiu hoje ter utilizado a companhia aérea SATA, na anterior legislatura, para tentar impulsionar o setor do Turismo no arquipélago.

O chefe do executivo falava no plenário do parlamento regional, reunido na cidade da Horta, durante a discussão do relatório da comissão de inquérito à transportadora regional, criada por proposta conjunta dos partidos da oposição, para tentar apurar responsabilidades sobre a situação financeira a que a empresa chegou.

"Se não tivesse sido a SATA a acudir ao nosso setor turístico, muitos mais despedimentos tinham existido, muito mais angústia teria havido nas famílias que têm membros a trabalhar nesse setor", justificou Vasco Cordeiro.

O presidente do Governo admitiu também ter dado instruções à transportadora regional para voar para rotas consideradas "deficitárias", na busca de novos potenciais turistas, opção que a oposição considera ter sido determinante para a derrapagem financeira da SATA.

"O Governo deu instruções à SATA, mas isso é completamente diferente, do que mandar fazer rotas deficitárias e não curar mais do assunto", explicou o governante, lembrando que também deu instruções para que a SATA voasse para rotas mais lucrativas.

Vasco Cordeiro, que na anterior legislatura assumiu as funções de secretário regional da Economia, com o pelouro dos transportes aéreos, reconheceu que a SATA é uma empresa "essencial", mas ressalvou que há interesses "superiores".

"A SATA é essencial, mas há interesses acima do interesse da SATA, e esses interesses são os interesses das açorianas e dos açorianos terem um bom regime de acessibilidades aérea", sublinhou o chefe do executivo.

Apesar disso, todos os partidos da oposição responsabilizam o Governo Regional pela situação financeira a que chegou a empresa e lamentam que o relatório da comissão de inquérito não atribua qualquer culpa ao executivo.

"O descalabro financeiro do Grupo SATA, que coloca em causa a sustentabilidade económica da empresa, iniciou-se com as orientações do acionista, o Governo Regional, em 2009, quando convoca a companhia a iniciar e a manter rotas provenientes de mercado turísticos que se assumiram como historicamente deficitárias", lembrou Artur Lima, do CDS.

Também o PSD, pela voz de Jorge Macedo, acusou os socialistas de "esconderem os problemas" da SATA no relatório da comissão de inquérito, "para não admitir, por uma única vez, a incompetência do Governo Regional e dos diversos conselhos de administração".

Aníbal Pires, deputado do PCP, elogiou o "exaustivo" trabalho da comissão de inquérito, mas lamentou que as conclusões do relatório final tenham ficado "aquém do que era expectável", considerando mesmo que "defrauda as expetativas" dos açorianos e dos trabalhadores da empresa.

No entender de Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, o relatório final é "defensivo, autojustificativo, muito incompleto e sobretudo incapaz da assunção de qualquer tipo de responsabilidade", chegando ao ponto de ilibar "todas as entidades direta e indiretamente relacionadas com a SATA.

"Este relatório é inenarrável, não tem ponta por onde se lhe pegue. É um relatório que, atrevo a dizer, é a pior peça de propaganda política jamais feita em 40 anos de autonomia", acusou ainda Paulo Estevão, do PPM.

Criticas que Francisco César, da bancada do PS, considerou serem "lamentáveis", acusando os partidos da oposição de estarem apenas interessados em atribuir culpas ao Partido Socialista e ao presidente do Governo Regional.

O debate parlamentar em torno do relatório da SATA terminou sem que tivesse havido votação do documento em plenário, uma vez que, em sede de comissão de inquérito já tinha sido aprovado, mas apenas com os votos favoráveis dos socialistas, a abstenção do BE e os votos contra da restante oposição.

 


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