Várias décadas conviveram em festa na Rua das Flores


 

Lusa/AO online   Nacional   27 de Set de 2014, 19:44

De gramofones e câmaras fotográficas com mais de cem anos, a bandas de jazz e palhaços em monociclos, a Rua das Flores, no Porto, contou com vários pedaços de cultura popular da primeira metade do século XX.

Inserida no programa da empresa municipal Porto Lazer, a iniciativa "Aqui Há Festa" cativou milhares de pessoas para uma rua que, durante as décadas que hoje celebrou, foi sendo "deixada ao abandono e à podridão".

"Estão a conceder a dignidade a uma rua que nunca a teve", disse à Lusa Pedro Chaminé da Mota, proprietário de uma livraria que vai buscar o nome aos seus apelidos, pouco depois de dar à manivela de uma grafonola de 1930.

"Finalmente está a ser reconhecida como um espaço muito bonito para as pessoas passearem", considerou o alfarrabista de 84 anos, lamentando os tempos em que "as pessoas deixaram degradar tudo", ao ponto de subsistirem ainda "prédios degradados que nunca mais se poderão recuperar".

Enquanto cerca de 15 pessoas aguardavam que Matilde Ramos as fotografasse com uma câmara de "mil novecentos e poucos", a apaixonada pela "magia das câmaras antigas" explicava à Lusa o processo que a obriga a tapar a cabeça com um pano negro antes de captar quaisquer imagens.

"É muito simples", garantia a fotógrafa de 28 anos", frisando que a "caixa mágica" só tira fotografias em negativos, o que a obriga a fotografar duas vezes: "primeiro às pessoas e depois à foto das pessoas, o que dá um negativo de um negativo, que é positivo".

Matilde observou que "os mais velhos não ficam lá muito impressionados, porque há uns tempos era normal haver destes fotógrafos de rua e ainda há alguns em Viana do Castelo e Ponte de Lima. Já os mais novos ficam maravilhados, porque acham que não é possível", assegurou.

Durante um intervalo entre músicas de uma autêntica "Big Band" que tocava músicas da década de 1920, Maria José Marques, moradora na Rua das Flores e bancária lá perto, considerou "maravilhoso ver a rua com tanta vida".

"Era bom que houvesse mais eventos deste tipo, porque por alguma razão o Porto foi considerado dos melhores destinos para viajar", considerou a bancária, desejando que se criasse "mais andares e se restaurasse mais prédios para habitação".

"Não só para 'hósteis'", ressalvou, considerando que "era bom que mais pessoas viessem viver novamente para o centro histórico".

O "ambiente vintage" pretendido pela Porto Lazer conta ainda com intervenções de arte urbana, DJ's em varandas, mercados e atuações circenses que se prologam entre as 20:00 e 23:00, no Largo de S. Domingos, e das 23:00 à uma da manhã, na Estação de São Bento.

 


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