Variações do tempo influenciam doenças respiratórias em São Miguel

Variações do tempo influenciam doenças respiratórias em São Miguel

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   23 de Mar de 2017, 11:18

As variações significativas de parâmetros meteorológicos na ilha de São Miguel influenciam as doenças do foro respiratório, podendo desencadear mais crises destas patologias em grupos de risco.

"Quando a temperatura do ar é considerada fria e os parâmetros da humidade relativa do ar e da pressão atmosférica apresentam variações significativas verifica-se um maior número de ocorrências ao hospital de Ponta Delgada", disse a investigadora da Universidade dos Açores Gabriela Meirelles, em declarações à agência Lusa.

A docente orientou um estudo de uma aluna de Ciências Biológicas e da Saúde daquela universidade que analisou a relação entre algumas variáveis meteorológicas e a saúde na maior ilha do arquipélago.

Este estudo vai ser apresentado na segunda-feira, no âmbito de uma de várias iniciativas para assinalar o Dia Meteorológico Mundial, que hoje se comemora, organizadas pela delegação regional dos Açores do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Gabriela Meirelles explicou que foram selecionadas variáveis meteorológicas como a temperatura, humidade relativa do ar e a pressão atmosférica entre os anos de 2008 a 2013 com o intuito de "tentar estabelecer relações entre o estado do tempo e as ocorrências hospitalares por doenças do aparelho respiratório".

De acordo com o estudo, em termos de número de admissões hospitalares, 2013 foi um ano em que houve uma grande afluência ao hospital de Ponta Delgada por doenças do aparelho respiratório, com maior incidência nos meses de fevereiro, março e abril.

"Estabelecemos um critério e considerámos grupos de risco as crianças com idades inferiores a 5 anos e idosos com mais de 60 anos. Em 2008, para este grupo de risco houve 161 ocorrências e em 2013 um total de 602 ocorrências por doenças do aparelho respiratório, como asma e rinites", adiantou.

Segundo a docente, esta maior afluência de doentes ao hospital em 2013, devido a problemas respiratórios, está relacionada com o facto de naquele ano se terem registado "variações significativas em relação à média de referência nos parâmetros meteorológicos, nomeadamente na humidade relativa do ar e pressão atmosférica".

"As doenças do foro respiratório estão associadas em São Miguel com a humidade, com temperaturas frias e variações significativas da humidade relativa do ar e pressão atmosférica", esclareceu.

Gabriela Meirelles referiu que a "grande conclusão" deste trabalho indica que "tempo frio, variações significativas da pressão e da humidade relativa do ar influenciam ou desencadeiam crises em pessoas que já sofrem de doenças respiratórias ou podem desencadear em pessoas que não tinham este tipo de patologia".

"Uma vez que vivemos na troposfera, respiramos toda esta combinação de gases. Estamos sujeitos à pressão atmosférica, a um maior ou menor conteúdo de humidade atmosférica e, portanto, é natural que estes parâmetros se reflitam na saúde", sublinhou a investigadora.


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