Universidade dos Açores propõe que Bruxelas mantenha quota do goraz na região

Universidade dos Açores propõe que Bruxelas mantenha quota do goraz na região

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Out de 2016, 13:15

O investigador da Universidade dos Açores Gui Menezes defendeu hoje que a Comissão Europeia (CE) deve manter a quota do goraz para a região, uma vez que a sua "abundância aumentou" nas águas do arquipélago.

 

“Esta abundância de goraz aumentou basicamente em todas as áreas onde a campanha se desenrolou. É um sinal positivo que foi refletido no relatório (parcial sobre o goraz)”, disse à agência Lusa o investigador.

O Governo dos Açores enviou para Bruxelas, no final da semana passada, o relatório parcial sobre o goraz, elaborado pela academia açoriana, designadamente pelos investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP), na sequência da intenção da CE reduzir a quota da espécie, de grande valor comercial para os pescadores da região.

A Comissão Europeia propôs uma redução generalizada das capturas de peixes de águas profundas para 2017 e 2018, que, nos Açores, no caso do goraz, aponta para cortes de 12%, quer em 2017 (para 455 toneladas), quer em 2018 (400 toneladas).

Todos os anos é realizada pelo DOP uma campanha anual sobre espécies demersais, que é desenvolvida com base em lances de pesca efetuados pelos investigadores, na sequência de um protocolo celebrado entre a academia açoriana e o Governo dos Açores.

Gui Menezes considerou que o aumento de goraz registado “foi significativo” em relação a 2013, tendo sido mantidas todas as medidas adotadas na pesca da espécie, visando ter uma “abordagem precaucionária”.

“Face aos resultados alcançados, não há razões para diminuir a quota do goraz dos Açores nesta altura”, declarou.

Aquele elemento do DOP recordou que as medidas em vigor nos Açores para proteger a espécie passam pelos totais admissíveis de capturas (TAC) impostos pela União Europeia, proibição do palangre de fundo dentro das três milhas das ilhas, vedação de algumas zonas à pesca demersal e da imposição de tamanhos mínimos.

“Sugerimos que a quota do goraz seja mantida ao nível a que está (cerca de 500 toneladas)”, disse aquele elemento do DOP, que acrescentou que todas essas medidas acumuladas, desenvolvidas nos últimos anos, “naturalmente teriam de ter um efeito na população do goraz”, que “está a recuperar”.

O Governo dos Açores, através do secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, já manifestou a sua oposição a cortes na quota do goraz propostos pela Comissão Europeia para os anos de 2017 e 2018.

Numa nota de imprensa divulgada a 10 de outubro, Fausto Brito e Abreu referiu que o executivo açoriano é “terminantemente contra mais cortes”, insistindo que "as 507 toneladas que neste momento estão disponíveis para os pescadores açorianos são insuficientes para as necessidades socioeconómicas”, sendo necessário “dar tempo para que as medidas que já estão em vigor tenham o seu resultado”.


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