Universidade de verão debate geoestratégia para os Açores


 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Jul de 2014, 14:06

Começou esta quarta-feira, em Angra do Heroísmo, a primeira universidade de verão do Instituto Açoriano de Estudos Europeus e Relações Internacionais (IAEERI), sendo também a primeira iniciativa deste género a realizar-se nos Açores.
“Esperemos que esta seja a primeira edição de muitas outras”, frisou, na cerimónia de abertura, Lara Martinho, vogal do IAEERI, realçando a vontade do instituto de dar um “cariz internacional” ao evento nos próximos anos.
Durante três dias, várias personalidades açorianas (investigadores, políticos, historiadores, juristas, empresários) vão debater a geoestratégia para os Açores, lembrando o papel que o arquipélago já teve no passado, a integração em organizações internacionais, mas também o potencial marítimo e aéreo dos Açores e o futuro da Base das Lajes.
Na sessão de abertura, que decorreu no Regimento de Guarnição número 1, Álamo Meneses, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e ex-secretário regional do Ambiente e do Mar, alertou para a urgência de pensar o futuro da gestão dos fundos marinhos.
“Não pode acontecer com o fundo do mar o que aconteceu com as nossas pescas”, frisou, alegando que a política de pescas nos Açores foi “espartilhada” pela legislação nacional e europeia.
Segundo Álamo Meneses, nos últimos, anos tem-se falado muito sobre as potencialidades do mar dos Açores, mas nem das pescas a região tem sido capaz de “tirar o devido rendimento”.
“Quando partimos para áreas mais ousadas, há um conjunto de oportunidades que temos de agarrar”, defendeu, considerando que é urgente agir nesta matéria, porque “daqui a uma década já será tarde”.
Para o autarca e professor universitário, o grande desafio da região é o “autoconhecimento”, porque os Açores foram “educados para a pequenez”, mas têm um “território imenso no meio do Atlântico”.
“Não é a nossa dimensão que conta e se contasse devia contar para o outro lado”, disse, salientando a localização privilegiada do arquipélago.
Também presente na sessão de abertura da universidade de verão, Sérgio Ávila, vice-presidente do Governo Regional dos Açores, alertou para a necessidade de especialização perante um mundo cada vez mais global.
Para o vice-presidente do executivo açoriano, a globalização trouxe uma maior competitividade e “isso implica ter uma abordagem de especialização”.
“Só nos podemos especializar naquilo em que possamos ser melhores e só podemos ser melhores naquilo que efetivamente tivermos vantagens competitivas neste mundo”, frisou.
Sérgio Ávila salientou ainda que para serem competitivos, os Açores têm de ter a capacidade de se ajustarem “permanentemente” à constante evolução do mundo global.
O Instituto Açoriano de Estudos Europeus e Relações Internacionais, com sede nas Lajes, na Praia da Vitória, foi criado em 2011, com o objetivo d contribuir para reflexão do papel dos Açores no contexto do Atlântico.

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