Unicef pede proteção para crianças que ainda estão em Calais

Unicef pede proteção para crianças que ainda estão em Calais

 

Lusa/AO online   Internacional   27 de Out de 2016, 16:48

A Unicef, fundo das Nações Unidas para a Infância, pediu "proteção urgente" para todas as crianças que ainda estão no campo de Calais, em França, cuja fase final de demolição começou esta semana.

Em comunicado conjunto, as agências da Unicef em França e Reino Unido assinalam que, apesar de os governos de Paris e Londres terem prometido “manter as crianças em segurança durante a demolição do campo”, neste momento, a situação para algumas crianças em Calais "é mais perigosa do que nunca”.

A Unicef manifesta-se “extremamente chocada” por, na noite de quarta-feira, “com o campo em chamas, muitas crianças terem sido forçadas a dormir ao relento e expostas a vários perigos e ao frio intenso”.

O fundo das Nações Unidas acrescenta que “chocantes são também os relatos de voluntários no terreno que dão conta de que algumas crianças foram afastadas pela polícia, por não terem uma pulseira de identificação”.

Após “horas em filas intermináveis, dezenas de crianças não terão podido registar-se e obter as suas pulseiras por parte das autoridades antes de os registos fecharem”, denuncia a Unicef, alertando que esta situação expõe os menores “a traficantes e contrabandistas”.

As autoridades francesas e britânicas “devem garantir a proteção e o interesse superior de cada uma destas crianças”, insta a Unicef.

Entre seis mil e oito mil migrantes, homens, mulheres e crianças, na maioria oriundos de Sudão, Afeganistão e Eritreia, viviam no campo de Calais, conhecido como “a selva”, em condições miseráveis, na esperança de conseguirem atravessar o Canal da Mancha, com destino ao Reino Unido.

As condições de vida no campo e o seu impacto na região tornaram-se um tema sensível, a seis meses das eleições presidenciais francesas.

Porém, a operação de evacuação do campo não pôs fim ao debate: a esquerda está preocupada com as condições de retirada, a oposição de direita teme uma multiplicação de “mini-Calais” e a extrema-direita defende a deportação dos migrantes para os países de origem.

O governo francês informou que, desde segunda-feira, retirou mais de 5.500 migrantes do acampamento de Calais, levados para abrigos em França, sobretudo.

Com 7.500 lugares disponíveis em 451 centros, a relocalização dos migrantes desencadeou reações por vezes violentas em algumas localidades francesas.

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