Um debate quinzenal (quase) sereno e centrado nos incêndios de Pedrógão Grande

Um debate quinzenal (quase) sereno e centrado nos incêndios de Pedrógão Grande

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   28 de Jun de 2017, 18:19

O tom do debate quinzenal de hoje foi moderado, o primeiro-ministro e o presidente do PSD concordaram num mecanismo para indemnizar as vítimas dos incêndios e apenas a líder do CDS foi mais contundente.

 

Após mais de uma hora de debate, em que houve mais consensos do que críticas, chegou a vez de Assunção Cristas falar e fazer as críticas mais contundentes, acusando António Costa de “não por ordem em casa”, o Governo, por várias entidades darem respostas diferentes sobre o que correu mal no combate aos fogos de Pedrógão Grande que fizeram 64 mortos e mais de 250 feridos.

“Não há ninguém no Governo que ponha ordem na casa? Não há ninguém que diga às pessoas que, se não têm uma resposta consensual e definitiva, então que estejam calados, porque isto destrói a confiança nas instituições?”, perguntou.

António Costa respondeu que só dá respostas não com invenções – “eu pergunto primeiro, depois tiro as minhas conclusões” - mas só depois de obter respostas, recusando ainda ter silenciado quem quer que seja, defendendo a transparência de publicar as respostas de entidades como a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

António Costa e Pedro Passos Coelho concordaram no princípio de indemnizar com rapidez os familiares das vítimas.

Se o líder social-democrata não tem dúvidas de que o Estado tem “responsabilidades objetivas” na morte de pessoas na estrada junto a Pedrógão Grande, já o chefe do Governo disse querer esperar pelas conclusões das investigações em curso, até para “não desonerar” outras entidades que possam vir a ser responsabilizadas.

Do debate, registem-se as posições também da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que levantou a questão das falhas de comunicações do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), que poderão ter dificultado o trabalho dos bombeiros.

Catarina Martins defendeu a “nacionalização” do SIRESP, dado que a concessionária “falha sempre” e ouviu a notícia dada pelo primeiro-ministro de que o Ministério da Administração Interna lançou a compra, por ajuste direto, de antenas satélite para casos de falhas no sistema de comunicações de emergência.

Ainda sobre o SIRESP, e em resposta à deputada dos Verdes Heloísa Apolónia, depois de defender que Portugal tem de deixar de ser “eucaliptolândia”, António Costa também admitiu uma nova revisão do contrato - “se for necessário será revisto de novo”.

Da parte do PCP, o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, advertiu que não é obrigatório aprovar novas leis para resolver o problema da floresta, mas sim dinheiro e fez um desafio: “O Governo está disponível para acudir à floresta portuguesa como se fosse um banco a precisar de resgate?”

António Costa respondeu com um sorriso e convidou o PCP a “ir a jogo”, apresentando propostas no processo para a revisão das leis sobre a floresta, em discussão no parlamento.

De resto, todos os deputados falaram na necessidade de apurar responsabilidades pelo que aconteceu com os incêndios e de que forma poderão ser evitados no futuro.

António Costa deixou claros os seus planos: "É necessário apurarmos, esclarecermos e estarmos cá para assumir todas as responsabilidades."

Ao contrário do que acontece noutros debates quinzenais, com a multiplicação de temas, hoje as atenções quase só se centraram na questão dos fogos florestais.

Uma das exceções foi de Passos Coelho que pediu, sem êxito, um comentário do primeiro-ministro à divulgação do relatório, na terça-feira, da auditoria da Inspeção-Geral de Finanças ao sistema de informação e controlo das declarações modelo 38 (para operações transfronteiriças) da Autoridade Tributária e Aduaneira. A outra, foi o comentário de Jerónimo de Sousa sobre o relatório de Primavera 2017 do Observatório Português dos Sistemas de Saúde.

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