Um ano depois, cerimónia com novos PR, Governo e presidente da Assembleia


 

AO/Lusa   Nacional   23 de Abr de 2016, 14:05

A cerimónia comemorativa da Revolução dos Cravos de segunda-feira conta com um Presidente da República e Governo novos, num parlamento onde PSD e CDS são agora oposição e a esquerda suporta o executivo.

 

Um ano depois do último 25 de Abril de Cavaco Silva como Presidente da República, muita coisa mudou no cenário político nacional, sendo agora o chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República Ferro Rodrigues - que substituiu a primeira mulher no cargo, Assunção Esteves - e o primeiro-ministro o socialista António Costa, com o apoio dos partidos da esquerda, numa correlação de forças inédita na qual o partido com maior número de deputados, o PSD, está agora na oposição.

Em 2015, na oposição ao executivo então liderado por Pedro Passos Coelho, PCP, BE e Verdes acusaram, nos seus discursos na sessão solene no parlamento, os sucessivos Governos – e por inerência o PSD, o CDS, mas também o PS - de desvirtuarem as conquistas do 25 de Abril e os "executantes da política de direita" de quererem manter a austeridade.

O antigo Presidente da República Cavaco Silva pediu no seu discurso compromissos para garantir estabilidade e governabilidade em Portugal e, na altura como líder da oposição, António Costa recusou os apelos ao seu partido para "compromissos, consensos ou conciliação" com o Governo PSD/CDS-PP, contrapondo que o voto é a arma do povo e que a escolha faz-se entre alternativas.

Da direita surgiram aplausos às palavras de Cavaco, mas da esquerda “choveram” críticas, com a líder bloquista Catarina Martins a ironizar que "o melhor do discurso do Presidente da República” foi mesmo ter sido o último enquanto chefe de Estado.

O atual líder da bancada parlamentar socialista, Carlos César, então apenas presidente do PS, considerou que o chefe de Estado proferiu um discurso de “quarta classe”, defendendo que existia uma alternativa ao executivo.

Já Mário Soares, que optou por estar ausente das sessões solenes desde 2012, voltou a não ir à Assembleia da República no ano passado e, mais tarde, numa cerimónia no Largo do Rato, recusou-se a comentar o discurso de Cavaco Silva alegando que não o ouviu, justificação que também foi usada pelo histórico socialista Manuel Alegre.

O ex-primeiro-ministro Passos Coelho escolheu o 25 de Abril para almoçar com 11 atletas olímpicos medalhados, que considerou serem “heróis portugueses”, mas a grande surpresa do dia surgiu já à tarde, com o anúncio de que os presidentes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas, iam assinar nessa mesma noite um compromisso para uma coligação entre os dois partidos nas legislativas.

 


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