Um ano depois a Volkswagen resiste à maior crise mas não está livre de perigo

Um ano depois a Volkswagen resiste à maior crise mas não está livre de perigo

 

Lusa / AO online   Economia   17 de Set de 2016, 11:44

Um ano depois de rebentar o escândalo da manipulação de emissões poluentes pela Volkswagen, o grupo automóvel perdeu valor na bolsa e quota no mercado, mas está a resistir à crise que ainda está longe de terminar.

 

Na véspera da fraude ter sido denunciada, a 18 de setembro de 2015, as ações da Volkswagen negociavam a 169,65 euros na Bolsa de Frankfurt (Alemanha), iniciando uma queda sem recuperação, tendo atingido o mínimo histórico duas semanas depois, a 02 de outubro, ao negociar nos 92,36 euros.

Passado um ano, na sessão de 15 de setembro, os títulos do grupo automóvel fecharam a valer 122,40 euros, menos 28% do que o valor pelo qual se transacionavam antes de ter admitido manipular as emissões de óxido de azoto em 11 milhões de carros em todo o mundo.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, o valor de mercado da Volkswagen caiu 29 mil milhões de euros desde então, mas ainda assim o grupo - na pessoa do novo presidente executivo Matthias Mueller (após a demissão de Martin Winterkorn) - demonstrou "uma resiliência surpreendente", estando a fazer novos investimentos.

Apesar de ter feito uma provisão de 18 mil milhões de euros para pagar indemnizações e multas associadas à fraude, a situação financeira do grupo contínua sólida e o primeiro semestre deste ano foi melhor do que todas as expectativas.

"Enquanto o escândalo está longe de chegar ao fim, há factos reveladores que a Volkswagen está a resistir à crise", destaca a Bloomberg, explicando que o grupo, dono das marcas Volkswagen, Audi, Seat, Sköda, entre outras, não fez nenhuma alienação do seu vasto portefólio.

Em contrapartida, no início deste mês, a Volkswagen anunciou que irá adquirir uma participação de 16,6% na construtora americana de camiões Navistar.

A Volkswagen pretende apostar forte nos Estados Unidos, sobretudo no fabrico de SUV's, para ir ao encontro das preferências do mercado, e ajudar a melhorar a imagem da marca onde o escândalo rebentou e fez mais estragos, apesar do número de veículos afetados ser 'apenas' cerca de 600 mil.

No último ano, o grupo perdeu quota no mercado europeu pelo 12º mês consecutivo, sendo em grande parte compensado pelo crescimento que está a ter na China.

Segundo a associação que representa os fabricantes europeus de automóveis ACEA, o fabricante alemão teve um peso de 26% nas vendas em agosto, em comparação com os 26,8% de um ano antes.

No mês de agosto, a indústria automóvel europeia teve um comportamento positivo, com uma subida homóloga de 9,5%, para os 855.466 carros registados, e a Volkswagen fica abaixo deste ritmo de crescimento, com uma subida de 6,3%.

Apesar de estar a resistir, o grupo ainda não está fora de perigo, uma vez que tem pela frente centenas de processos judiciais, que podem causar mais danos na reputação da marca, que garante que apenas alguns técnicos estavam envolvidos na manipulação dos motores a gasóleo, sem conhecimento da gestão de topo.

Em todo o mundo, cerca de 11 milhões de veículos foram afetados pela fraude cometida pelo grupo Volkswagen, dos quais oito milhões na Europa (em Portugal são 125.491 veículos).


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.